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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

As substâncias cartesianas e as suas relações



Descartes admite existirem três substâncias , a que atribui as designações de "res cogitans", "res divina" e "res extensa".

"Res cogitans" - Descartes apreende por intuição a certeza do "cogito, ergo sum", isto é, do "penso, logo existo". Descartes sabe que existe, mas interroga-se no sentido se saber que coisa é. Dado que a evidência de que existe lhe é garantida pelo acto de duvidar e de pensar, ele considera ser apenas uma substância que pensa, um pensamento. O filósofo num dado momento afirma que "eu sou uma substância cuja essência ou natureza é o pensamento!"Ao retirar a verdade da sua existência do acto de pensar, tal não significa que se considere existir como homem formado de corpo e de alma. Não tendo ainda nada que lhe garanta a existência do corpo, Descartes define-se essencialmente como uma substância pensante, um pensamento, uma razão, uma alma, ou um espírito. É isto apenas que ele intui, não sabendo ainda se possui um corpo, se há um mundo ou qualquer lugar onde eventualmente possa existir. Existe apenas como "res cogitans", independentemente do corpo, não necessitando de algo material para se afirmar, mas impondo-se evidentemente pelo puro acto de pelo puro acto de pensar. O "res cogitans" é pensar. É no acto de pensar que a alma se funda, é no acto de pensar que o existir se ancora, e ele durará todo o tempo em que Descartes puder dizer: "eu penso".

"Res divina" - A segunda substância que Descartes fundamenta metafisicamente é Deus; temos, no entanto, uma intuição clara das suas perfeições pelo que convém que nos detenhamos nalguns dos atributos que caracterizam esta substância. Descartes afirma que entende "(...) nome de Deus uma substância infinita, eterna , imutável, independente, omnisciente, omnipotente( ...)." Descartes tem ,assim, um conceito de Deus muito semelhante ao da teodiceia clássica. Deus é visto como uma substância, a única no sentido propriamente dito, porque é a única que subsiste por si mesma. Todas as outras dependem de Deus que as criou e as mantém. Deus é independente, no sentido de ser a causa de si mesmo. Em Deus há como que uma identificação de causa e efeito em todo o sempre, pelo que se concebe como um ser em autogeneração. Deus é veraz, é com base na veracidade divina que há a garantia do conhecimento humano. Se Deus é o autor da nossa faculdade de distinguir o verdadeiro do falso e se nós a usarmos bem, não podemos de modo algum, cair no erro, pois isso seria atribuir o erro à própria identidade divina. Ora, como Deus é perfeito, tem de ser simultaneamente bom e verdadeiro e constitui-se como princípio e garante das nossas evidências. O homem não poderá ter ciência certa se não conhecer aquele que o criou, isto é, Deus. Deus é a entidade criadora. Descartes vê na substância divina um ser omnipotente, criador não só do homem, mas de tudo aquilo que existe. Ressalta, assim, a ideia de Deus como autor não só das coisas existentes no mundo como até das verdades metafísicas, matemáticas e morais.

"Res extensa"- No entanto, ele continua a interrogar-se no sentido de averiguar se não poderão existir outras coisas para além de si e de Deus. Descartes averiguando as ideias descobre uma outra ideia, e só uma que se lhe impõe com igual evidência. Trata-se da ideia de extensão. Que esta ideia existe é um facto, mas existirá algo que lhe corresponda fora do pensamento? Mais uma vez, Deus é invocado como garantia da evidência, pois se possuímos a ideia clara e distinta de extensão, ela terá de corresponder a uma extensão real na natureza com a qual se parece. Desta forma, a extensão é a propriedade fundamental da matéria. Todos os corpos materiais e o próprio espaço se reduzem à extensão. Por isso, a extensão é a característica essencial dos corpos. Qualquer corpo consiste unicamente numa substância extensa em comprimento, largura e profundidade.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O racionalismo Platónico


Platão desenvolveu a noção de que o homem está em contacto permanente com dois tipos de realidade: a inteligível e a sensível. A primeira, é a realidade, mais concreta, permanente, imutável, igual a si mesma. A segunda são todas as coisas que nos afectam os sentidos, são realidades dependentes, mutáveis e são imagens das realidades inteligíveis.

Tal concepção de Platão também é conhecida por Teoria das Ideias ou Teoria das Formas. Foi desenvolvida como hipótese no diálogo Fédon e constitui uma maneira de garantir a possibilidade do conhecimento e fornecer uma inteligibilidade relativa aos fenómenos .

Para Platão, o mundo concreto percebido pelos sentidos é uma pálida reprodução do mundo das Ideias . Cada objecto concreto que existe participa, junto com todos os outros objectos de sua categoria, de uma Ideia perfeita. Uma determinada caneta, por exemplo, terá determinados atributos (cor, formato, tamanho, etc.). Outra caneta terá outros atributos, sendo ela também uma caneta, tanto quanto a outra. Aquilo que faz com que as duas sejam canetas é, para Platão, a Ideia de Caneta, perfeita, que esgota todas as possibilidades de ser caneta.

A ontologia de Platão diz, então, que algo é na medida em que participa da Ideia desse objecto . No caso da caneta é irrelevante, mas o foco de Platão são coisas como o ser humano, o bem ou a justiça, por exemplo.
O problema que Platão propõe-se a resolver é a tensão entre Heráclito e Parménides: para o primeiro, o ser é a mudança, tudo está em constante movimento e é uma ilusão a estabilidade , ou a permanência de qualquer coisa; para o segundo, o movimento é que é uma ilusão, pois algo que é não pode deixar de ser e algo que não é não pode ser, assim, não há mudança.

Ou seja (por exemplo), o que faz com que determinada árvore seja ela mesma desde o estágio de semente até morrer, e o que faz com que ela seja tão árvore quanto outra de outra espécie, com características tão diferentes? Há aqui uma mudança, tanto da árvore em relação a si mesma (com o passar do tempo ela cresce) quanto da árvore em relação a outra. Para Heráclito , a árvore está sempre mudando e nunca é a mesma, e para Parménides, ela nunca muda, é sempre a mesma e é uma ilusão sua mudança.

Platão resolve esse problema com sua Teoria das Ideias. O que há de permanente em um objecto é a Ideia, mais precisamente, a participação desse objecto na sua Ideia correspondente. E a mudança ocorre porque esse objecto não é uma Ideia , mas uma incompleta representação da Ideia desse objecto . No exemplo da árvore, o que faz com que ela seja ela mesma e seja uma árvore (e não outra coisa), a despeito de sua diferença daquilo que era quando mais jovem e de outras árvores de outras espécies (e mesmo das árvores da mesma espécie) é sua participação na Ideia de Árvore; e sua mudança deve-se ao fato de ser uma pálida representação da Ideia de Árvore.

Platão também elaborou uma teoria gnosiológica, ou seja, uma teoria que explica como se pode conhecer as coisas, ou ainda, uma teoria do conhecimento. Segundo ele, ao vermos um objecto repetidas vezes, uma pessoa lembra-se, aos poucos, da Ideia daquele objecto , que viu no mundo das Ideias . Para explicar como se dá isso, Platão recorre a um mito (ou uma metáfora) que diz que, antes de nascer, a alma de cada pessoa vivia em uma Estrela onde localizam-se as Ideias. Quando uma pessoa nasce, sua alma é "jogada" para a Terra, e o impacto que ocorre faz com que esqueça o que viu na Estrela. Mas ao ver um objecto aparecer de diferentes formas (como as diferentes árvores que se pode ver), a alma recorda-se da Ideia daquele objecto que foi vista na Estrela. Tal recordação, em Platão, chama-se anamnesis.


A reminiscência
Uma das condições para a indagação ou investigação acerca das Ideias é que não estamos em estado de completa ignorância sobre elas. Do contrário, não teríamos nem desejo nem poder de procurá-las. Em vista disso, é uma condição necessária (para tal investigação) que tenhamos em nossa alma alguma espécie de conhecimento ou lembrança de nosso contacto com as Ideias contacto esse ocorrido antes do nosso próprio nascimento) e nos recordamos das Ideias por vê-las reproduzidas palidamente nas coisas. Deste modo, toda a ciência platónica é uma reminiscência. A investigação das Ideias supõe que as almas preexistiram em uma região divina onde contemplavam as Ideias . Podemos tomar como exemplo o Mito da Parelha Alada, localizado no diálogo Fedro, de Platão. Neste diálogo, Platão compara a raça humana a carros alados. Tudo o que fazemos de bom, dá forças às nossas asas. Tudo o que fazemos de errado, tira força das nossas asas. Ao longo do tempo fizemos tantas coisas erradas que nossas asas perderam as forças e, sem elas para nos sustentarmos, caímos no Mundo Sensível, onde vivemos até hoje. A partir deste momento, fomos condenados a vermos apenas as sombras do Mundo das Ideias .


Conhecimento
Platão não buscava as verdadeiras essências da forma física como buscavam Demócrito e seus seguidores, sob influência de Sócrates buscava a verdade essencial das coisas. Platão não poderia buscar a essência do conhecimento nas coisas, pois estas são corruptíveis, ou seja, variam, mudam, surgem e se vão. Como o filósofo deveria buscar a verdade plena, deveria buscá-la em algo estável, as verdadeiras causas, pois logicamente a verdade não pode variar, se há uma verdade essencial para os homens esta verdade deve valer para todas as pessoas. Logo, a verdade deve ser buscada em algo superior. Nas coisas devem ter um outro fundamento, que seja além do físico, a forma de buscar estas realidades vem do conhecimento, não das coisas, mas do além das coisas. Esta busca racional é contemplativa, isto significa buscar a verdade no interior do próprio homem. Porém o próprio homem não é meramente sujeito particular, mas como um participante das verdades essenciais do ser.

Platão assim como seu mestre Sócrates busca descobrir as verdades essenciais das coisas. O conhecimento era assim o conhecimento do próprio homem, mas sempre ressaltando o homem não enquanto corpo, mas enquanto alma. O conhecimento que continha na alma era a essência daquilo que existia no mundo sensível, assim em Platão também a técnica e o mundo sensível eram secundários. A alma humana enquanto perfeita participa do mundo perfeito das ideias, porém este formalismo só é reconhecível na experiência sensível.

Também o conhecimento tinha fins morais, isto é, levar o homem à bondade e à felicidade. Assim a forma de conhecimento era um reconhecimento, que faria o homem dar-se conta das verdades que sempre já possuía e que o levavam a discernir melhor dentre as aparências de verdades e as verdades. A obtenção do autoconhecimento era um caminho árduo e metódico.

Referente ao mundo material o homem pode ter somente a doxa (opinião) e téchne (técnica), que permitia a sobrevivência do homem, ao passo que referente ao mundo das ideias, ou verdadeiro conhecimento filosófico, o homem pode ter a episthéme (verdadeiro conhecimento).

Platão não defendia que todas as pessoas tivessem iguais acessos à razão. Apesar de todos terem a alma perfeita, nem todos chegavam à contemplação absoluta do mundo das ideias.

O problema da origem do conhecimento


Relativamente ao problema da origem do conhecimento, existem duas concepções diferentes:

Para o racionalismo, corrente filosófica que iniciou com a definição do raciocínio que é a operação mental, discursiva e lógica. Este usa uma ou mais proposições para extrair conclusões se uma ou outra doutrinas conhecidas tradicionalmente como racionalismo.
Segundo Descartes:

"O racionalismo pode consistir em considerar a razão como essência do real, tanto natural quanto histórico. Sustenta a primazia da razão, da capacidade de pensar, de raciocinar, em relação ao sentimento e à vontade, pressupondo uma hierarquia de valores entre as faculdades psíquicas; ou a posição segundo a qual somente a análise lógica ou a razão pode propiciar desta forma o desenvolvimento da análise científica do método matemático que passa a ser considerado como instrumento puramente teórico e dedutivo, que prescinde de dados empíricos, aplicados às ciências físicas que levaram a uma crescente fé na capacidade do intelecto humano para isolar a essência no real e ao surgimento de uma série de sistemas metafísicos fundados na convicção de que a razão constitui o instrumento fundamental para a compreensão do mundo, cuja ordem interna, aliás, teria um carácter racional."
Conforme descrito acima, da obra de Descartes, o conjunto de aptidões em função das quais os indivíduos aprendem mais rapidamente novas informações e se revelam mais eficientes no manejo e aproveitamento adequado de conhecimentos já armazenados por meio de aprendizagens anteriores e empíricas, estas podem fazer com que através da análise lógica se descubram processos ou sistemas mais rapidamente pelo método lógico e matemático, ao invés do método empírico, pois o empirismo leva em conta a tentativa e erro, enquanto que o método lógico e a análise crítica levam às respostas necessárias minimizando a necessidade do experimentalismo prático. Esta visão chamada de cartesiana alterou e acelerou as descobertas científicas. O racionalismo dominou e domina até os dias de hoje o método científico de análise lógica.



Por seu lado, a doutrina do empirismo foi definida explicitamente pela primeira vez pelo filósofo inglês John Locke.Este filósofo argumentou que a mente seria, originalmente, um "quadro em branco" (tábua rasa), sobre o qual é gravado o conhecimento, cuja base é a sensação. Ou seja, todas as pessoas, ao nascer, o fazem sem saber de absolutamente nada, sem impressão nenhuma, sem conhecimento algum. Todo o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido pela experiência, pela tentativa e erro.

Historicamente, o empirismo opõe-se à escola conhecida como racionalismo, segundo a qual o homem nasceria com certas ideias inatas, as quais iriam "aflorando" à consciência e constituiriam as verdades acerca do Universo. A partir dessas ideias, o homem poderia entender os fenômenos particulares apresentados pelos sentidos. O conhecimento da verdade, portanto, independeria dos sentidos físicos.

Em seu livro Ensaio Sobre o Entendimento Humano, Locke descreve a mente humana como uma tábua rasa (literalmente, uma "ardósia em branco"), onde, por meio da experiência, vão sendo gravadas as ideias. A partir dessa análise empirista da epistemologia Locke diferencia dois tipos de ideias: as ideias simples, sobre as quais não se poderia estabelecer distinções, como a de amarelo, duro, etc., e as ideias complexas, que seriam associações de ideias simples (por exemplo ouro — que é uma substância dura e de cor amarelada). Com isso, formaría-se um conceito abstracto da substância material.

No século XVIII, Berkeley desenvolve o empirismo de John Locke mas não admite a passagem dos conhecimentos fornecidos pelos dados da experiência para o conceito abstracto de substância material. Por isso, Berkeley afirma que uma substância material não pode ser conhecida em si mesma. O que se conhece, na verdade, resume-se às qualidades reveladas durante o processo perceptivo. Assim, o que existe realmente nada mais é que um feixe de sensações. Daí sua famosa frase: ser é ser percebido.

O problema da possibilidade do conhecimento


Relativamente ao problema da possibilidade do conhecimento temos duas posições distintas:
De um modo geral, o Dogmatismo é uma espécie de fundamentalismo intelectual. Os dogmas expressam verdades certas, indubitáveis e não sujeitas a qualquer tipo de revisão ou crítica. Deve-se ao filósofo alemão Kant e sua obra Crítica da Razão Pura o significado filosoficamente pejorativo do termo. Dogmatismo é uma atitude natural e espontânea que temos desde muito crianças. É nossa crença de que o mundo que existe é exactamente da forma como o percebemos.
O Cepticismo filosófico originou-se a partir da Filosofia Grega. Uma das suas primeiras propostas foi feita por Pirro de Elis (360-275 a.C.), que viajou até a Índia e lá estudou, e propôs a adopção do cepticismo "prático" .
Ou seja, o cepticismo filosófico é procurar saber, não se contentando com a ignorância fornecida actualmente pelos meios públicos, por meio da dúvida. Opõem-se ao dogmatismo, em que é possível conhecer a verdade.

O problema da Natureza do Conhecimento


A nível da natureza do conhecimento encontramos duas posições:

- para o Realismo, os universais existem objectivamente , seja na forma de realidades em si, transcendentes em relação aos particulares (como em Platão, universais ante rem ), ou como imanentes encontrados nas coisas individuais (como para Aristóteles, universidade in re ).

- para o Idealismo, sendo o primado do EU subjectivo , no entanto não significa necessariamente reduzir a realidade ao pensamento. Assim, na filosofia idealista, o postulado básico é que Eu sou Eu, no sentido de que o Eu é objecto para mim (Eu). Ou seja, a velha oposição entre sujeito e objecto se revela no idealismo como incidente no interior do próprio eu, uma vez que o próprio Eu é o objecto para o sujeito (Eu).

Podemos, considerá-lo em várias perspectivas, tais como:

1. Qualquer teoria filosófica em que o mundo material, objectivo , exterior só pode ser compreendido plenamente a partir de sua verdade espiritual, mental ou subjectiva . Seus opostos seriam representados pelo realismo ('na filosofia moderna') ;

2. No sentido ontológico, doutrina filosófica, cujo exemplo mais conhecido é o platonismo, segundo a qual a realidade apresenta uma natureza essencialmente espiritual, sendo a matéria uma manifestação ilusória, aparente, incompleta, ou mera imitação imperfeita de uma matriz original constituída de formas ideais inteligíveis e intangíveis;

3.No sentido gnosiológico, tal como ocorre em Kant, teoria que considera o sentido e a inteligibilidade de um objecto de conhecimento dependente do sujeito que o compreende, o que torna a realidade cognoscível heterónima, carente de auto-suficiência, e necessariamente redutível aos termos ou formas ideais que caracterizam a subjectividade humana;

4. Idealismo absoluto: Doutrina idealista inerente ao hegelianismo, caracterizada pela suposição de que a única realidade plena e concreta é de natureza espiritual, sendo a compreensão materialística ou sensível dos objectos um estágio pouco evoluído e superável no paulatino desenvolvimento cognitivo da subjectividade humana.

Idealismo dogmático: Idealismo, especialmente em Berkeley, que se caracteriza por negar a existência dos objectos exteriores à subjectividade humana [Termo cunhado pelo filósofo alemão Kant (1724-1804) para designar uma orientação idealista com a qual não concorda.]. Seu oposto seria o idealismo transcendental.

Idealismo imaterialista: Idealismo defendido por Berkeley (1685-1753) que, partindo de uma perspectiva empirista, na qual a realidade se confunde com aquilo que dela se percebe, conclui que os objectos materiais reduzem-se a ideias na mente de Deus e dos seres humanos;

5.Idealismo transcendental (também chamado formal ou crítico): Doutrina kantiana, segundo a qual os fenómenos da realidade objectiva, por serem incapazes de se mostrar aos homens exactamente tais como são, não aparecem como coisas-em-si, mas como representações subjectivas construídas pelas faculdades humanas de cognição. O seu oposto seria o idealismo dogmático.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Epistemologia


"Epistemologia ou teoria do conhecimento (do grego ἐπιστήμη [episteme], ciência, conhecimento; λόγος logos], discurso) é um ramo da filosofia que trata dos problemas filosóficos relacionados à crença e ao conhecimento.
A epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento (daí também se designar por filosofia do conhecimento). Ela se relaciona ainda com a metafísica, a lógica e o empirismo, uma vez que avalia a consistência lógica da teoria e sua coesão fatual, sendo assim a principal dentre as vertentes da filosofia (é considerada a "corregedoria" da ciência). Sua problematização compreende a questão da possibilidade do conhecimento: Será que o ser humano conseguirá algum dia atingir realmente o conhecimento total e genuíno, fazendo-nos oscilar entre uma resposta dogmática ou empirista? Outra questão abrange os limites do conhecimento: Haverá realmente a distinção entre o mundo cognoscível e o mundo incognoscível? E finalmente, a questão sobre a origem do conhecimento: Por quais faculdades atingimos o conhecimento? Haverá conhecimento certo e seguro em alguma concepção a priori?
Há ainda outras questões relativas ao conhecimento, como a apostasia da ciência de seu verdadeiro sentido e sua aproximação à outras formas de aprendizado com estruturas ilógicas e irracionais: O senso comum, a filosofia e a ciência, no mais das vezes, dão um caráter universal ao contingente, tornando-o dogmático. Assim, a ciência, que sempre julgou-se detentora única do saber, vê-se inserida em seu coexistente princípio de contradição." Retirado do site http://www.enciclopedia.com.pt/articles.php?article_id=685

domingo, 25 de maio de 2008

A arte como expressão do mundo interior do artista

(Salvador Dalí - Cristo de São João da Cruz)


O artista procura projectar na sua obra aquilo que ele encerra em si; quer de necessidade de uma certa harmonia, quer de uma maneira de pensar ou de sentir. Tenta transmitir este segredo numa imagem legível equivalente a ser decifrada pelos outros. A arte aproxima-se da expressão. O artista tenta fazer entrar mundo invisível no visível, tenta transmitir numa linguagem legível (escrita, fílmica, pictórica ou outra) para que possa ser decifrada pelos outros. A arte revela a sensibilidade e é a sensibilidade a primeira das faculdades que deve ser educada e que é suporte de toda a educação. A obra de arte é imagem-símbolo expressiva de uma realidade psíquica. Muitas vezes se crê que ela mostra os aspectos da realidade material, mas, por mais realista que seja , é a própria essência do artista que é revelada, confessada.
A obra de arte apresenta-se-nos como individual, na medida em que é concebida e realizada por uma artista. Sabemos que ele não é imune às influências daquilo que o cerca. Ele é um ser histórico com um passado que assume como seu, com um presente e tudo isso se repercute na obra que acaba por ser a expressão do mundo do artista. O artista não é o interprete cego das forças circunstanciais. Artista e sociedade conjugam-se na obra de arte que exprime a maneira de pensar, a concepção de vida e a visão do mundo dos homens que constituem a sociedade do seu tempo.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Filosofia, Fotografia e Poesia

(Foto 1)


(Foto 2)

(Foto 3)



(Foto 4)



(Foto 5)



(Foto 6)


Deixamos aqui algumas fotos da nossa exposição no âmbito do estudo da "Dimensão Estética", entitulada "Filosofia, Fotografia e Poesia", esperamos que a apreciem!















terça-feira, 6 de maio de 2008

O que é a Beleza?

(Mona Lisa, Leonardo da Vinci)




"Beleza é uma percepção individual caracterizada normalmente pelo que é agradável aos sentidos. Esta percepção depende do contexto e do universo cognitivo do indivíduo que a observa. Através da história da humanidade a relação com a beleza tem sido frequentemente religiosa ou mística e transcendente, logo a beleza foi considerada muitas vezes como "aquilo que se aproxima da Divindade".
Também podemos considerar que beleza é, uma unidade dentro da variedade, unidade essa que deve ser harmonica da paz. A palavra beleza era utilizada originalmente para denominar exactidão, precisão; eventualmente a palavra adquiriu o significado de
simetria. Beleza é aquilo que vemos e que podemos interpretar de modos diferentes.
É difícil se expressar em palavras o que é o "belo". Mas pode-se afirmar que a beleza é um conjunto de elementos que resultam naquilo que se considera belo. Uma das
expressões utilizadas antigamente para definir a beleza feminina: "eram mulheres agradáveis aos olhos" ou "são mulheres formosas a vista".

A ideia de Beleza Humana é transmitida através dos média usando como exemplo os modelos e a maioria dos artistas famosos (ser magro, corpo sarado, não ter espinhas, pele bronzeada, etc). Muitas pessoas, principalmente as adolescentes e mulheres jovens, tentam ter o corpo considerado perfeito, e acabam tendo várias doenças. Um exemplo clássico é a anorexia, mas também existem outras doenças, como a bulimia.
O que dirá, então, se além da questão espacial, estiver em questão o quesito temporal, de certo que o conceito sofrerá mudanças drásticas. Beleza é algo relativamente ligado ao tempo e ao espaço, isto é, variando de pessoa para pessoa e principalmente, de lugar para lugar.
Brad Pitt e Angelina Jolie são símbolo de beleza em nosso tempo (época), mas só é uma unanimidade em nosso espaço (localidade), isto é, no mundo Ocidental ou 'ocidentalizado' como é o caso do Japão.
Para
Leonardo Da Vinci, o modelo de beleza foi traduzido pelo quadro Mona Lisa. Para ele, e para o pensamento da época, a mulher bela tinha que preencher, literalmente, o seu 'campo de visão', ou seja, as mulheres tinham que ser gordas e vestindo muitas roupas! Hoje em dia, o belo é uma mulher magra com praticamente roupa nenhuma. É comprovado assim, que o conceito de beleza é muito relativo variando através do contexto ( época, espaço etc).
Beleza é uma coisa pessoal, porque cada pessoa interpreta isso de uma forma, tem um gosto pessoal muito distinto.
Para alguns, a beleza não inclui somente forma física, mas também o modo de pensar de cada individuo, a maturidade, os sentimentos, o comportamento, o modo de agir em geral.
O conceito de beleza às vezes gera um certo conflito entre as pessoas, em busca do melhor, superior. Isso também gera preconceitos, por que divide a sociedade entre "bonitos" e "feios"."

in Wikipédia

Juízo estético

(Botero)




"Quando valoramos (valorizamos) um objecto em termos de beleza, formulamos um juízo estético. Julgamos de acordo como nos sentimos, de sentimentos de júbilo, de prazer, de desagrado ou repúdio. Porém, o significado de juízo estético tem flutuado ao longo dos tempos relacionando-se intimamente com o conceito de belo. Os mais marcantes momentos da concepção do belo são: a Antiguidade Clássica, a Modernidade, e Idade Contemporânea. Na antiguidade clássica o belo era algo em si, visto como meta a alcançar, pre-definido, "a priori", objectivo. Quanto mais se aproximasse do ideal estabelecido, mais belo seria. Na Modernidade, com Kant, o belo deixa de existir em si, como na Antiguidade Clássica, passando e existir para o nós, para o sujeito, o belo depende, então, do modo subjectivo de sermos afectados pelos objectos contemplados, dos nossos sentimentos, sendo por isso relativo a cada um, por isso, Kant defende também que todos somos capazes de formular juízos estéticos e de avaliar objectos como belos. Na Idade Contemporânea o juízo estético deixa de obedecer a qualquer dogma e passa a ser absolutamente relativo, deixa de respeitar qualquer critério objectivo e universal, passando a ser inteiramente pessoal variando consoante as capacidades de cada um." in Wikipédia

Experiência estética

Kandisky

"A experiência estética decorre numa atmosfera afectiva, pois o ser humano é um ser sensível, captando cognitivamente os objectos que o rodeia através dos seus sentidos, manifestando sentimentos de alegria, de júbilo, de prazer face a estes, quer sejam de origem humana ou natural, valorizando-os afectivamente, atribuindo-lhes valor estético, elevando-os do plano da utilidade para o plano da contemplação estética. Através da contemplação estética o sujeito participa activamente na contemplação do objecto, interpretando-o subjectivamente, criando ou recriando o objecto na sua psique, experimentando prazer estético, por vezes de tal forma intensa, que transcende para um outro cosmos subjectivo, criado pela sua mente, pelos seus sentimentos face ao objecto permanecendo alheio e alterno ao mundo real, no seu heterocosmos."

in Wikipédia

Estética - o que significa?

(Fish Magic - by Paul Klee)



"Estética (do grego αισθητική ou aisthésis: percepção, sensação) é um ramo da filosofia que tem por objecto o estudo da natureza do belo e dos fundamentos da arte. Ela estuda o julgamento e a percepção do que é considerado belo, a produção das emoções pelos fenómenos estéticos, bem como as diferentes formas de arte e do trabalho artístico; a ideia de obra de arte e de criação; a relação entre matérias e formas nas artes. Por outro lado, a estética também pode ocupar-se da privação da beleza, ou seja, o que pode ser considerado feio, ou até mesmo ridículo.
A estética adquiriu autonomia como
ciência, destacando-se da metafísica, lógica e da ética, com a publicação da obra Aesthetica do educador e filósofo alemão Alexander Gottlieb Baumgarten, em dois volumes, 1750-1758. Baumgarten traz uma nova abordagem ao estudo da obra de arte, considerando que os artistas deliberadamente alteram a Natureza, adicionando elementos de sentimento a realidade percebida. Assim, o processo criativo está espelhado na própria actividade artística. Compreendendo então, de outra forma, o prévio entendimento grego clássico que entendia a arte principalmente como mimesis da realidade.

Na antiguidade - especialmente com Platão, Aristóteles e Plotino - a estética era estudada fundida com a lógica e a ética. O belo, o bom e o verdadeiro formavam uma unidade com a obra. A essência do belo seria alcançado identificando-o com o bom, tendo em conta os valores morais. Na Idade Média surgiu a intenção de estudar a estética independente de outros ramos filosóficos.
No âmbito do Belo, dois aspectos fundamentais podem ser particularmente destacados:
a estética iniciou-se como
teoria que se tornava ciência normativa às custas da lógica e da moral - os valores humanos fundamentais: o verdadeiro, o bom, o belo. Centrava em certo tipo de julgamento de valor que enunciaria as normas gerais do belo (ver cânone estético);
a estética assumiu características também de uma
metafísica do belo, que se esforçava para desvendar a fonte original de todas as belezas sensíveis: reflexo do inteligível na matéria (Platão), manifestação sensível da ideia (Hegel), o belo natural e o belo arbitrário (humano), etc.
Mas este carácter metafísico e consequentemente
dogmático da estética transformou-se posteriormente em uma filosofia da arte, onde se procura descobrir as regras da arte na própria acção criadora (Poética) e em sua recepção, sob o risco de impor construções "a priori" sobre o que é o belo. Neste caso, a filosofia da arte se tornou uma reflexão sobre os procedimentos técnicos elaborados pelo homem, e sobre as condições sociais que fazem um certo tipo de acção ser considerada artística.
Para além da obra já referida de Baumgarten - infelizmente não editada em português -, são importantes as obras Hípias Maior, O Banquete e Fedro, de Platão, a Poética, de Aristóteles, a Crítica da Faculdade do Juízo, de
Kant e Cursos de Estética de Hegel." in Wikipédia

terça-feira, 29 de abril de 2008

Teoria da equidade de Rawls

“Como é possível uma sociedade justa?”

Rawls propõe-se indagar sobre os direitos e desenvolver uma teoria sistemática e global da justiça.
Começa por defender o primado da justiça, uma concepção pública e aceitável de justiça constitui a regra fundamental de qualquer sociedade humana bem ordenada.

O que é uma sociedade justa?
Como é possível uma sociedade justa?

O objectivo de Rawls é apresentar-nos uma concepção de justiça, partindo da ideia de contrato social. Os princípios de justiça formam a base desse acordo e emergem daquilo que se designa por posição original.
A posição original deve ser concebida como uma situação imaginária, a partir da qual são definidos os princípios da justiça. Nesta situação é-nos pedido que, sob um véu de ignorância ( como se desconhecêssemos o nossso lugar na sociedade) aprovemos os princípios para avaliar as relações entre os homens e as instituições.

A sociedade é um conjunto de pessoas que admitem um grupo de regras que oriente as suas relações. As pessoas consideram necessária a admissão de alguns princípios de justiça (universais). Sendo universal, a justiça terá que possuir um carácter contratual e social.


Preocupações de Rawls:

Estrutura básica da sociedade e para o modo como devem distribuir-se os direitos e os deveres.
Bem- estar colectivo – aposta na descoberta de princípios que governem a vida social e política.
Defende que toda a organização social se deve apoiar numa teoria de justiça, pelo que a repartição de deveres e direito (Imparcialidade).

Concepção de equidade:

Igualdade - Conjunto de liberdades fundamentais (liberdade política; expressão; consciência; etc.)

Diferença – Protecção civil e à distribuição de benefícios (riqueza, emprego, responsabilidade, posições sociais).


Saber mais : http://criticanarede.com/pol_justica.html

quinta-feira, 24 de abril de 2008

A liberdade


Eu hei-de esculpir o futuro ao jeito do criador que extrai a obra de mármore a golpes de cinzel. E caem uma a uma as escamas que escondiam o rosto do deus. E os outros dirão: Este mármore continha este deus. Ele o que fez foi encontrá-lo. E o gesto dele não passava de um meio. Mas eu cá digo que ele não calculava, ele forjava a pedra. O sorriso do rosto está muito longe de ser feito de suor, de faíscas, de golpes de cinzel e de mármore. O sorriso não é da pedra, mas sim do criador. Liberta o homem, e ele criará. Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"

quarta-feira, 23 de abril de 2008

A arte


A arte é sempre criação, mesmo quando se julga imitar a natureza ou a vida moral e social. Porque criar é sempre reestruturar materiais, ideias, linguagens que se encontram já à nossa disposição. A arte é sempre criação não porque parta do nada, mas porque actualiza o que estava em potência.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Mar adentro


Este é o nosso filme em estudo e em reflexão!
MAR ADENTRO, última longa-metragem de Alejandro Amenábar (“Os Outros”, “De Olhos Abertos”), conquistou ontem o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O filme estreou em Portugal, com o aplauso da crítica e do público. O filme tinha já sido premiado com o Globo de Ouro para Melhor Filme Estrangeiro, tendo Javier Bardem sido também nomeado para Melhor Actor.MAR ADENTRO foi ainda o grande vencedor dos Goya, os mais importantes galardões da indústria cinematográfica espanhola. O filme ganhou 14 dos 15 prémios para que estava nomeado, arrecadando todas as distinções nas mais importantes categorias: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor e Melhor Actriz.A estes prémios e nomeações somam-se ainda os Prémios Europeus do Cinema já conquistados (Melhor Realizador, Melhor Actor).
Um filme de levar às lágrimas. Um portentoso emocional que leva ao ecrã a luta de um homem pelo direito a prescindir da sua vida dignamente. Um elenco simplesmente soberbo.” Gonçalo Frota, Blitz

“Javier Bardem, o maior actor espanhol, dá a dimensão da tragédia da personagem, transmitindo a justeza da verdade que lhe assiste.” Eurico de Barros, Diário de Notícias

“Um filme sobre o drama interior de um homem, que Bardem assume de forma notável.” Tiago Alves, Visão
Um filme que os coloca a pensar sobre a eutanásia e o sentido da vida!


segunda-feira, 21 de abril de 2008

Cá estamos ...

(Imagem retirada da net)

Como a união faz a força e o prometido é devido cá estamos noutra plataforma, a filosofar e a questionar!!!!