Foram dois anos espectaculares em que vos vi crescer, amadurecer, brilhar ... foram o meu porto de abrigo nas horas mais difíceis ... provavelmente no próximo ano não estarei convosco ... por isso o meu muito obrigado por todos estes momentos, percorram o vosso caminho, nunca desistam, sejam e lutem para serem felizes e quero que saibam que isto não é um Adeus, mas um Até sempre porque ficarão eternamente no meu coração e na minha alma!sexta-feira, 31 de julho de 2009
Até sempre ...
Foram dois anos espectaculares em que vos vi crescer, amadurecer, brilhar ... foram o meu porto de abrigo nas horas mais difíceis ... provavelmente no próximo ano não estarei convosco ... por isso o meu muito obrigado por todos estes momentos, percorram o vosso caminho, nunca desistam, sejam e lutem para serem felizes e quero que saibam que isto não é um Adeus, mas um Até sempre porque ficarão eternamente no meu coração e na minha alma!domingo, 22 de março de 2009
Ciência e Dogmatismo
segunda-feira, 16 de março de 2009
Falsificacionismo
"Outra saída para o problema da indução, pelo menos tal como ela afecta o tema do método científico, é negar que a indução seja a base do método científico. O falsificacionismo , a filosofia da ciência desenvolvida por Karl Popper (1902-1994), entre outros, ocasiona isso mesmo. Os falsificacionistas, defendem que a perspectiva simples da ciência está errada. Os cientistas não começam por fazer observações, começam com uma teoria. As teorias científicas e as chamadas leis da natureza não aspiram à verdade: ao invés, são tentativas especulativas de oferecer uma análise de vários aspectos da natureza. São conjecturas: suposições bem informadas, concebidas para serem melhores do que as teorias anteriores. Estas conjecturas são então sujeitas a testes experimentais. Mas estes testes têm um objectivo muito específico. Não pretendem demonstrar que a conjectura é verdadeira, mas antes demonstrar que é falsa. A ciência funciona tentando falsificar teorias, e não demonstrar que são verdadeiras. Qualquer teoria que se mostre ser falsa é abandonada ou, pelo menos falsificada. A ciência progride, assim, através de conjecturas e refutações. Nunca podemos ter a certeza, em relação a qualquer teoria, que ela é absolutamente verdadeira: em princípio qualquer teoria pode ser falsificada. Esta perspectiva parece adaptar-se bem ao progresso testemunhado na história da ciência: a visão ptolomaica do universo que coloca a Terra no seu centro, foi ultrapassada pela copernicana; a física de Newton foi ultrapassada pela física de Einstein. A falsificação tem pelo menos uma grande vantagem em relação à perspectiva simples da ciência: um único caso de falsificação é suficiente para mostrar que uma teoria não é satisfatória, ao passo que por mais observações que confirmem uma teoria, nunca podem ser suficientes para nos darem cem por cento de certeza de que a teoria será confirmada por todas as observações futuras. Esta é uma característica dos enunciados universais. Se digo "Todos os cisnes são brancos", basta a observação de um único cisne presto para refutar a minha teoria. Contudo, se eu observar dois milhões de cisnes brancos o próximo cisne que observar pode muito bem ser preto: por outras palavras, a generalização é muito mais fácil de refutar do que de demonstrar."Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia, Lisboa, Gradiva, 1998, pp.179-180domingo, 15 de março de 2009
A perspectiva de Popper

quinta-feira, 12 de março de 2009
Raciocínio indutivo e dedutivo

terça-feira, 10 de março de 2009
Validade e verificabilidade das hipótese

sexta-feira, 6 de março de 2009
Estatuto do conhecimento científico

TEXTO
Acredito que a teoria pelo menos alguma teoria ou expectativa rudimentar sempre vem primeiro; que ela sempre precede a observação; e que o papel fundamental das observações e dos testes experimentais é mostrar que algumas das nossas teorias são falsas e, assim, estimular-nos a produzir outras melhores. Consequentemente, afirmo que não partimos de observações, mas sempre de problemas de problemas práticos ou de uma teoria que caiu em dificuldades. Uma vez que defrontemos um problema, podemos começar a trabalhar nele. Podemos fazê-lo por meio de tentativas de duas espécies: podemos prosseguir tentando primeiro supor ou conjecturar uma solução para o nosso problema; e podemos depois tentar criticar a nossa suposição, habitualmente fraca. Às vezes, uma suposição ou uma conjectura podem suportar por certo tempo a nossa crítica e os nossos testes experimentais. Mas, via de regra, logo descobrimos que as nossas conjecturas podem ser refutadas, ou que não resolvem o nosso problema, ou que só o solucionam em parte; e verificamos que mesmo as melhores soluções aquelas capazes de resistir à crítica mais severa das mentes mais brilhantes e engenhosas logo dão origem a novas dificuldades, a novos problemas. Assim podemos dizer que o crescimento do conhecimento avança de velhos problemas para novos problemas, por meio de conjecturas e refutações. Karl Popper, Conhecimento Objectivo
1. Qual é a importância que se deve atribuir às teorias?
2. Diga em que consiste o papel das observações.
3. Refira qual a importância desempenhada pelo problema na investigação científica.
TEXTO
1. Será um conhecimento científico um empreendimento inteiramente racional?
2. Quais os requisitos necessários para se possa falar em progresso no domínio científico?
TEXTO
1. Deve uma teoria ser considerada científica pelo facto de ser regularmente verificada através de provas observacionais?
2. Como podemos demarcar uma teoria cientifica de uma teoria pseudocientífica?
3. Explique porque motivo o método de procura de verificações não é o mais conveniente para a ciência.
Retirado da site Netprof.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Adeus ao cientismo
Princípios considerados de fundamental importância, fundamentos sólidos, vão ser de facto profundamente abalados; até ao século XIX, a ciência assentava no princípio do determinismo, considerando que os processos da natureza consistem num rigoroso encadeamento de causas e consequências, nada acontecendo de incerto e de indeterminado na natureza, só a ignorância sendo responsável pelas incertezas. O próprio espírito de exactidão da ciência — só o que é mensurável é susceptível de estudo exacto, o objectivo da ciência é medir os fenómenos, é descrever através de números, é estabelecer relações precisas — acentua a forma da universal inteligibilidade. A estes dois princípios ainda se poderá acrescentar o princípio da continuidade — os movimentos da natureza produzem-se gradualmente: entre dois momentos considerados, entre duas posições, existem sempre outros momentos. Além de que o cientista era mais um instrumento ao serviço da natureza, orgulhava-se em vincar a sua impessoalidade, a não interacção do homem que investiga e do fenómeno investigado. O cientista do século XX é protagonista de todo um processo de revisão: em vez de certezas absolutas, uma margem de incerteza, em muitos domínios; em vez do determinismo, do encadeamento causa – efeito, a certeza de que as mais pequenas unidades de matéria e de energia só podem ser descritas em termos de probabilidade, as previsões rigorosas neste campo não passando de quimera. (...) Acentua-se cada vez mais o papel criador, a actividade do cientista, e uma dose de acaso introduz-se nas teorias científicas (...). A ordem encontrada hoje na natureza é só uma das muitas ordens possíveis. E o real deixa de ser transparente, para se tornar velado.O que é a ciência?

O senso comum

A ruptura entre senso comum e ciência
«A elaboração de “ construções cientificas” implica ruptura com as construções do conhecimento vulgar” ’ (do senso comum, da ideologia).Na verdade, se a ruptura comas “ categorias “ , “ evidências” “ explicações “ vulgares não ocorre, não é de todo possível “ abrir espaço” para novas “construções”. Todo o conhecimento, mesmo o vulgar, é construído para responder a determinadas interrogações, a determinados problemas - e transporta, por isso, em si mesmo, implicitamente, as interrogações, os problemas para responder aos quais foi construído. Assim “ o conhecimento vulgar “ enquanto não é recusado como traduzindo directa e fielmente a realidade, continua impor ao pensamento não só as suas categorias explícitas, como também as interrogações escondidas, os problemas implícitos que estão na sua origem. Ora, os problemas, as interrogações, as necessidades de resposta a que o “conhecimento vulgar” ( de senso comum ou ideológico) responde e corresponde não são como vimos, as do conhecimento propriamente dito, mas os do “ reconhecimento “ e da “ prática social”. Não se trata, por conseguinte, de simplesmente pôr em dúvida, para construir a ciência, o que o senso comum ou a ideologia explicitamente afirmam como “evidente”; não se trata de ir verificar por métodos científicos, se as descrições / interpretações que o “conhecimento vulgar” nos oferece do social são correctas ou incorrectas, cientificamente ou não. A ruptura opera-se, fundamentalmente a outro nível – e sem de resto forçosamente se propor substituir as “ construções “ do “ conhecimento vulgar” por outras “ construções” no plano das práticas quotidianas, onde aquelas possam continuar a ser “ úteis” . Quando efectivamente se opera, é ao nível das perguntas – não ao das respostas, das descrições / interpretações – que centralmente se situa. Opera-se, portanto, enunciando novas interrogações, instaurando novas problemáticas, através das quais o que precisamente fica posto e causa é a forma como, nas operações produtoras do “ conhecimento vulgar” o real é interrogado. (…) O que de facto de começa por subverter, para a ciência de construir são as perguntas e não as respostas do senso comum ou da ideologia.» A. Sedas Nunes, Sobre o problema do conhecimento nas ciências sociais; Cadernos GIS; Lisboa. o que difere o senso comum do conhecimento científico

Senso comum e ciência

1. Tendo presente o conteúdo do texto, elabore uma reflexão onde torne evidentes as diferenças entre o conhecimento vulgar e conhecimento científico.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Conhecimento Científico/ Vulgar
Trabalho de Casa domingo, 15 de fevereiro de 2009
Ficha de Trabalho sobre Kant
Intuição e conceitos constituem, pois os elementos de todo o nosso conhecimento, de tal modo que nem conceitos sem intuição que de qualquer modo lhe corresponda, nem uma intuição sem conceitos podem dar um conhecimento.
Se chamarmos sensibilidade à receptividade do nosso espírito em receber representações na medida em que de algum modo é afectado, o entendimento é, em contrapartida, a capacidade de produzir representações ou a espontaneidade do conhecimento. (...) Sem a sensibilidade, nenhum objecto nos seria dado; sem o entendimento, nenhum seria pensado. Pensamentos sem conteúdo são vazios; intuições sem conceitos são cegas. Pelo que é necessário tornar sensíveis os conceitos (isto é, acrescentar-lhes o objecto na intuição) como tornar compreensíveis as intuições (isto é, submetê-las aos conceitos.)"
Kant, Critica da Razão Pura.
1. Quais são, na perspectiva de Kant, as fontes do nosso conhecimento?
2. Qual o papel desempenha cada dessas fontes no conhecimento?
3. Explique a seguinte afirmação de Kant: "Pensamentos sem conteúdo são vazios; intuições sem conceitos são cegas."
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
"O Estranho caso de Benjamim Button"

Apesar de algumas críticas, posso dizer-vos que adorei o filme, não só por retratar uma época que apesar da guerra, adoro, mas porque é uma história no mínimo bizarra que retrata acima de tudo o sentido da existência humana, a condição do homem, o destino, a liberdade, o que faz de nós humanos, afinal!
Fá-lo de uma forma estranha, sem dúvida, um homem que nasce "velho" e morre "bebé". Perdemos a noção dos 160 minutos que ali estamos, somos transportados para o filme, para as emoções, vão fluindo as cenas perante nós com naturalidade ... não há monotonia, tudo vai passando ao longo das horas do relógio suiço, com uma beleza atroz ... por vezes, até arrepiante ... cada palavra, cada pensamento, cada frase é para ser digerida ao minuto ... ao segundo ... mexe e remexe connosco ... faz-nos pensar na vida, na nossa vida ... nos momentos que perdemos, nos que ganhámos, naqueles em que soubemos esperar , na morte , no que está para além de tudo ... o amor ...
O filme simplesmente começa: “Eu nasci sob circunstâncias pouco usuais".e a partir daí é uma série de surpresas!
Adorei, chorei, ri, quem estava ao meu lado sentia-me a tremer ... o filme mexeu comigo, "falou" comigo ... sai de lá com os olhos vermelhos, cheia de lenços de papel e ainda a fungar ... a caminho de casa voltei a chorar, a fungar ... recomendo, sem dúvida ...
E as minhas companhias ... para além de se terem munido previamente de pipocas,mais sumos, coca-colas, gomas, gelados, chocolates ... adoraram o filme ... fartaram-se de chorar como eu ... a minha companhia foram vinte e um meninos e meninas do 11º ano ... resolvemos fazer uma aula de Filosofia no exterior e que sítio melhor ... senão no Cinema ... e que filme melhor ... este bastante pertinente e rico filosoficamente!
(Desculpem ... mas este post é dedicado a vocês ... meus alunos! A nossa aula durou até às 20.10h !!!)
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
As substâncias cartesianas e as suas relações

Descartes admite existirem três substâncias , a que atribui as designações de "res cogitans", "res divina" e "res extensa".
"Res cogitans" - Descartes apreende por intuição a certeza do "cogito, ergo sum", isto é, do "penso, logo existo". Descartes sabe que existe, mas interroga-se no sentido se saber que coisa é. Dado que a evidência de que existe lhe é garantida pelo acto de duvidar e de pensar, ele considera ser apenas uma substância que pensa, um pensamento. O filósofo num dado momento afirma que "eu sou uma substância cuja essência ou natureza é o pensamento!"Ao retirar a verdade da sua existência do acto de pensar, tal não significa que se considere existir como homem formado de corpo e de alma. Não tendo ainda nada que lhe garanta a existência do corpo, Descartes define-se essencialmente como uma substância pensante, um pensamento, uma razão, uma alma, ou um espírito. É isto apenas que ele intui, não sabendo ainda se possui um corpo, se há um mundo ou qualquer lugar onde eventualmente possa existir. Existe apenas como "res cogitans", independentemente do corpo, não necessitando de algo material para se afirmar, mas impondo-se evidentemente pelo puro acto de pelo puro acto de pensar. O "res cogitans" é pensar. É no acto de pensar que a alma se funda, é no acto de pensar que o existir se ancora, e ele durará todo o tempo em que Descartes puder dizer: "eu penso".
"Res divina" - A segunda substância que Descartes fundamenta metafisicamente é Deus; temos, no entanto, uma intuição clara das suas perfeições pelo que convém que nos detenhamos nalguns dos atributos que caracterizam esta substância. Descartes afirma que entende "(...) nome de Deus uma substância infinita, eterna , imutável, independente, omnisciente, omnipotente( ...)." Descartes tem ,assim, um conceito de Deus muito semelhante ao da teodiceia clássica. Deus é visto como uma substância, a única no sentido propriamente dito, porque é a única que subsiste por si mesma. Todas as outras dependem de Deus que as criou e as mantém. Deus é independente, no sentido de ser a causa de si mesmo. Em Deus há como que uma identificação de causa e efeito em todo o sempre, pelo que se concebe como um ser em autogeneração. Deus é veraz, é com base na veracidade divina que há a garantia do conhecimento humano. Se Deus é o autor da nossa faculdade de distinguir o verdadeiro do falso e se nós a usarmos bem, não podemos de modo algum, cair no erro, pois isso seria atribuir o erro à própria identidade divina. Ora, como Deus é perfeito, tem de ser simultaneamente bom e verdadeiro e constitui-se como princípio e garante das nossas evidências. O homem não poderá ter ciência certa se não conhecer aquele que o criou, isto é, Deus. Deus é a entidade criadora. Descartes vê na substância divina um ser omnipotente, criador não só do homem, mas de tudo aquilo que existe. Ressalta, assim, a ideia de Deus como autor não só das coisas existentes no mundo como até das verdades metafísicas, matemáticas e morais.
"Res extensa"- No entanto, ele continua a interrogar-se no sentido de averiguar se não poderão existir outras coisas para além de si e de Deus. Descartes averiguando as ideias descobre uma outra ideia, e só uma que se lhe impõe com igual evidência. Trata-se da ideia de extensão. Que esta ideia existe é um facto, mas existirá algo que lhe corresponda fora do pensamento? Mais uma vez, Deus é invocado como garantia da evidência, pois se possuímos a ideia clara e distinta de extensão, ela terá de corresponder a uma extensão real na natureza com a qual se parece. Desta forma, a extensão é a propriedade fundamental da matéria. Todos os corpos materiais e o próprio espaço se reduzem à extensão. Por isso, a extensão é a característica essencial dos corpos. Qualquer corpo consiste unicamente numa substância extensa em comprimento, largura e profundidade.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
As características da dúvida cartesiana

O filme "O Nome da Rosa"
O Porquê do filme "O Nome da Rosa", baseado no livro de Umberto Eco com mesmo título ?Estranhas mortes começam a ocorrer num mosteiro beneditino localizado na Itália durante a baixa idade média, onde as vítimas aparecem sempre com os dedos e a língua roxos. O mosteiro guarda uma imensa biblioteca, onde poucos monges tem acesso às publicações sacras e profanas. A chegada de um monge franciscano (Sean Conery), incumbido de investigar os casos, irá mostrar o verdadeiro motivo dos crimes, resultando na instalação do tribunal da santa inquisição.
INTRODUÇÃO
A Baixa Idade Média (século XI ao XV) é marcada pela desintegração do feudalismo e formação do capitalismo na Europa Ocidental. Ocorrem assim, nesse período, transformações na esfera económica (crescimento do comércio monetário), social (projecção da burguesia e sua aliança com o rei), política (formação das monarquias nacionais representadas pelos Reis absolutistas) e até religiosas, que culminarão com o cisma do ocidente, através do protestantismo iniciado por Martinho Lutero na Alemanha em 1517.
Culturalmente, destaca-se o movimento renascentista que surgiu em Florença no século XIV e se propagou pela Itália e Europa, entre os séculos XV e XVI. O renascimento, enquanto movimento cultural, resgatou da antiguidade greco-romana os valores antropocêntrico e racionais, que adaptados ao período, entraram em choque com o teocentrismo e dogmatismo medievais sustentados pela Igreja.
No filme, o monge franciscano representa o intelectual renascentista, que com uma postura humanista e racional, consegue desvendar a verdade por trás dos crimes cometidos no mosteiro.
1. Contextualização
Discussão dos elementos formadores da cultura moderna, o surgimento do pensamento moderno, no período da transição da Idade Média para a Modernidade.
O Filme
O Nome da Rosa pode ser interpretado como tendo um carácter filosófico, quase metafísico, já que nele também se busca a verdade, a explicação, a solução do mistério, a partir de um novo método de investigação. E Guilherme de Bascerville, o frade franciscano detective, é também o filósofo, que investiga, examina, interroga, duvida, questiona e, por fim, com seu método empírico e analítico, desvenda o mistério, ainda que para isso seja pago um alto preço.
O Tempo
Trata-se do ano 1327, ou seja, a Alta Idade Média. Lá se retoma o pensamento de Santo Agostinho (354-430), um dos últimos filósofos antigos e o primeiro dos medievais, que fará a mediação da filosofia grega e do pensamento do início do cristianismo com a cultura ocidental que dará origem à filosofia medieval, a partir da interpretação de Platão e o neoplatonismo do cristianismo. As teses de Agostinho nos ajudarão a entender o que se passa na biblioteca secreta do mosteiro em que se situa o filme.
Doutrina Cristã
Neste tratado, Santo Agostinho estabelece precisamente que os cristãos podem e devem tomar da filosofia grega pagã tudo aquilo que for importante e útil para o desenvolvimento da doutrina cristã, desde que seja compatível com a fé (Livro II, B, Cap. 41). Isto vai constituir o critério para a relação entre o cristianismo (teologia e doutrina cristã) e a filosofia e a ciência dos antigos. Por isso é que a biblioteca tem que ser secreta, porque ela inclui obras que não estão devidamente interpretadas no contexto do cristianismo medieval. O acesso à biblioteca é restrito, porque há ali um saber que é ainda estritamente pagão (especialmente os textos de Aristóteles), e que pode ameaçar a doutrina cristã. Como diz ao final Jorge de Burgos, o velho bibliotecário, acerca do texto de Aristóteles – a comédia pode fazer com que as pessoas percam o temor a Deus e, portanto, faz desmoronar todo esse mundo.
2. Disputa de Filosofia
Entre os séculos XII e XIII temos o surgimento da escolástica, que constitui o contexto filosófico-teológico das disputas que se dão na abadia em que se situa O Nome da Rosa. A escolástica significa literalmente "o saber da escola", ou seja, um saber que se estrutura em torno de teses básicas e de um método básico que é compartilhado pelos principais pensadores da época.
2.1 Influência aos Pensamentos
A influência desse saber corresponde ao pensamento de Aristóteles, trazido pelos árabes (muçulmanos), que traduziram muitas de suas obras para o latim. Essas obras continham saberes filosóficos e científicos da Antiguidade que despertariam imediatamente interesses pelas inovações científicas decorrentes.
2.2 Consolidação Política
A consolidação política e económica do mundo europeu fazia com que houvesse uma maior necessidade de desenvolvimento científico e tecnológico: na arquitectura e construção civil, com o crescimento das cidades e fortificações; nas técnicas empregadas nas manufacturas e actividades artesanais, que começam a se desenvolver; e na medicina e ciências correlatas.
2.3 Pensamento Aristotélico
O saber técnico-científico do mundo europeu era nesta época extremamente restrito e a contribuição dos árabes será fundamental para este desenvolvimento pelos conhecimentos de que dispunham de matemática, de ciências (física, química, astronomia, medicina) e de filosofia. O pensamento agora (Aristotélico) será marcado pelo empirismo e materialismo.
3. A Época
O enredo desenvolve-se na ultima semana de 1327, num mosteiro da Itália medieval. A morte de sete monges em sete dias e noites, cada um de maneira mais insólita - um deles, num barril de sangue de porco, é o motor responsável pelo desenvolvimento da acção. A obra é atribuída a um suposto monge, que na juventude teria presenciado os acontecimentos.
Este filme é uma crónica da vida religiosa no século XIV, e relato surpreendente de movimentos heréticos. Para muitos críticos, o nome da rosa é uma parábola sobre a Itália contemporânea. Para outros, é um exercício monumental sobre a mistificação.
4. O Título
A expressão "O nome da Rosa" foi usada na Idade Média significando o infinito poder das palavras. A rosa subsiste seu nome, apenas; mesmo que não esteja presente e nem sequer exista. A " rosa de então" , centro real desse romance, é a antiga biblioteca de um convento beneditino, na qual estavam guardados, em grande número, códigos preciosos: parte importante da sabedoria grega e latina que os monges conservaram através dos séculos.
5. Biblioteca do Mosteiro
Durante a Idade Média umas das práticas mais comuns nas bibliotecas dos mosteiros eram apagar obras antigas escritas em pergaminhos e sobre elas escreve ou copiar novos textos. Eram os chamados palimpsestos, livrete em que textos científicos e filosóficos ma Antiguidade clássica eram raspados das páginas e substituídos por orações rituais litúrgicos.
O nome da rosa é um livro escrito numa linguagem da época, cheio de citações teológicas, muitas delas referidas em latim. É também uma crítica do poder e do esvaziamento dos valores pela demagogia, violências sexuais, os conflitos no seio dos movimentos heréticos, a luta contra a mistificação e o poder. Uma parábola sangrenta patética da história da humanidade
Baseado: No romance de mesmo nome de Umberto Eco.
5.1 - Pensamento
O pensamento dominante, que queria continuar dominante, impedia que o conhecimento fosse acessível a quem quer que seja, salvo os escolhidos. No O nome da Rosa, a biblioteca era um labirinto e quem conseguia chegar no final era morto. Só alguns tinham acesso. É uma alegoria do Umberto Eco, que tem a ver com o pensamento dominante da Idade Média, dominado pela igreja. A informação restrita a alguns poucos representava dominação e poder. Era a idade das trevas, em que se deixava na ignorância todos os outros.
6. História
Em 1327 William de Baskerville (Sean Connery), um monge franciscano, e Adso von Melk (Christian Slater), um noviço que o acompanha, chegam a um remoto mosteiro no norte da Itália. William de Baskerville pretende participar de um conclave para decidir se a Igreja deve doar parte de suas riquezas, mas a atenção é desviada por vários assassinatos que acontecem no mosteiro. William de Baskerville começa a investigar o caso, que se mostra bastante intrincando, além dos mais religiosos acreditarem que é obra do Demônio. William de Baskerville não partilha desta opinião, mas antes que ele conclua as investigações Bernardo Gui (F. Murray Abraham), o Grão-Inquisidor, chega no local e está pronto para torturar qualquer suspeito de heresia que tenha cometido assassinatos em nome do Diabo. Considerando que ele não gosta de Baskerville, ele é inclinado a colocá-lo no topo da lista dos que são diabolicamente influenciados. Esta batalha, junto com uma guerra ideológica entre franciscanos e dominicanos, é travada enquanto o motivo dos assassinatos é lentamente solucionado.
O ano é 1327. Representantes da Ordem Franciscana e a Delegação Papal se reúnem num mosteiro Beneditino para uma conferência. Mas a missão deles é subitamente ofuscada por uma série de assassinatos. Utilizando sua brilhante capacidade de dedução, o monge franciscano William de Baskerville (Sean Connery), auxiliado pelo seu noviço Adso de Melk (Christian Slater), empenha-se para desvendar o mistério. Mas antes que William possa completar sua investigação, o mosteiro é visitado pelo seu antigo desafecto, o Inquisidor Bernardo Gui (F. Murray Abraham). O poderoso Inquisidor está determinado a erradicar a heresia através da tortura e se William, o caçador, persistir na sua busca, também se tornará caça. Mas à medida que Bernardo Gui se prepara para acender a fogueira da Inquisição, William e Adso voltam à biblioteca labirinticae descobrem uma verdade extraordinária ...
Resumo
Do ponto de vista do filme que hoje está sendo abordado, notamos que a história passa em um mosteiro na Itália Medieval. A idade média assistiu, em sua agonia um grande debate Filosófico Religioso. Perdido o equilíbrio do atomismo, o homem medieval caiu em dois extremos opostos.
De um lado os humanistas racionalistas Frei Guilherme de Ockham, um édito moderno. Tais humanistas cultivaram o antropocentrismo julgaram que graças às ciências e à técnica, o homem seria capaz de vencer todas as misérias do mundo, até criar uma era de grande prosperidade material e de completa felicidade natural.
De outro lado místicos com visão extremamente pessimista da realidade. Para eles o mundo era intrinsecamente mau e irredimível por ser obra de um DEUS perverso, distinto da divindade. Acreditavam que a razão humana era má e só seria desejável perder-se no nada divino.
No mosteiro, sete monges morrem estranhamente, isto aborda muito a violência.
Há também uma violência sexual, no qual mulheres se vendem aos monges em troca de comida e muitas vezes depois são mortas.
Movimentos eclécticos do século XIV, a luta contra a mistificação, o poder, o esvaziamento de valores pela demagogia, são mostrados em um cenário sangrento sobre a política da historia da humanidade.
Regras do método cartesiano
Para Descartes existem quatro regras para chegar a razão chegar a bom termo:Regra da análise: Descartes preconiza a análise como processo de decompor o complexo em pequenas parcelas simples, em ordem a uma captação mais fácil e certa.Deste modo, qualquer problema complicado é susceptível de redução a problemas simples.
Regra da síntese: O espírito, uma vez na posse dos elementos simples, deve fazer a reconstituição do complexo, conduzindo os pensamentos por ordem.
Regra da enumeração: Esta regra refere-se à necessidade de entrar em linha de conta com todos os dados do problema e de rever cuidadosamente e minunciosamente todos os elementos implicados na sua solução, a fim de se ter a certeza de nada ter esquecido, sem o que a sua resolução não poderia ser totalmente correcto.

