sábado, 29 de novembro de 2008

Ficha de revisões

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1. "Assim, o jogo ethos - pathos - logos constitui o cerne ou o miolo do processo argumentativo. Em que consiste?" F. Alves, José Arêdes, José Cravalho, in 705 azul, Texto Editora, p.89.

Concorda com a afirmação evidenciada no texto? Produza um texto onde responda à pergunta formulada.


2. "A retórica é a arte de persuadir pela palavra os participantes de qualquer espécie de reunião política e tem por objectivo o justo e o injusto. Ela proporciona a quem a possui ao mesmo tempo liberdade para si próprio e domínio sobre os outros." Platão, Górgias.

Partindo do conteúdo do texto, distinga manipulação de persuasão racional.

3. " Para Platão, a linguagem é eivada de armadilhas, sortilégios e perigos. A multidão maravilhada pela palavra do orador, pode, em consequência, votar cegamente contra o interesse público. É por isso que os sofistas, que ensinam a arte de seduzir e de persuadir por meio das palavras, constituem um alvo permanente para Platão."Bernard Piettre, Comentário ao Livro da República de " A Republica"


Tendo presente a afirmação transcrita, exponha as principais críticas que Platão faz ao movimento da sofística grega.


4. " Os argumentos são tentativas de sustentar certos pontos de vista com razões. São também essenciais por outra razão- uma vez chegados a uma conclusão baseada em boas razões, os argumentos são a forma pala qual explicamos e defendemos."Anthony Weston.


Distinga argumentação de demonstração.


Explicite as estratégias de persuasão mais frequentes nos domínios da propaganda e da publicidade.

(Retirado do site Netprof)

O discurso político

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O discurso da propaganda política também representa uma outra forma de captar a atenção do auditório. A propaganda política que pretende ser eficaz vai ao encontro ou responde às necessidades e preocupações manifestadas pela chamada opinião pública. A opinião pública é o conjunto de pensamentos, conceitos e representações gerais dos cidadãos sobre as questões de interesse colectivo. A um 1º nível, pode ser entendida como a voz da sociedade civil ou a expressão da vontade colectiva, Assim, a opinião pública influencia a política e pode, inclusive, derrubar governos.

Actualmente, opinião pública é muito mais opinião de massas, na medida em que ela é cada vez mais a opinião (de) formada pelos meios de comunicação social, instrumento privilegiado de informação de massas.
As principais características da propaganda política são:


  1. Dirige-se a vários auditórios particulares;

  2. É sedutor;

  3. É muitas vezes manipulador e demagógico;

  4. Utiliza como técnicas discursivas as interrogações retóricas, as expressões ambíguas e as repetições;

  5. Reforça opiniões prévias;

  6. Forma e é formada pela opinião pública.

Características do discurso publicitário

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É um dos discursos que pretende cativar mais atenção do auditório. As suas principais características são:

1º É dirigido a um auditório específico;

2º Tenta responder a necessidades, mas também as cria;

3º Propõe de forma condensada um visão do mundo (sistema de valores);

4º É sedutor, pois dirige um apelo específico à sensibilidade/emoção;

5º Faz promessas veladas;

6º Opta por mensagens curtas(imagem/sonoridade), com pouca informação;

7º Actua a um nível implícito e inconsciente; sugere associações.


A publicidade serve-se sempre de uma linguagem sedutora, faz promessas ao encantamento e à necessidade de prazer des espectadores.

O poder sedutor da publicidade tem como consequência a deslocação dos actos decisórios da esfera crítica da razão para as áreas acríticas da afectividade. O resultado é comportar-se o consumidor de acordo com o previsto pelos peritos que arquitectaram a mensagem: a razão é posta de lado e age-se movido pelo desejo. Através de técnicas eficazes estabelece-se uma relação imaginária e mágica entre o consumidor e o produto anunciado. É que a aquisição de um produto faz-se não apenas por ele satisfazer necessidades básicas, mas especialmente porque ele é apresentado como uma mais valia que vai de encontro aos desejos e aos valores das pessoas.

A actuação mágica da publicidade aposta na simbologia das coisas conotando os produtos que anuncia com valores sensuais. A relação entre o consumidor e o valor simbólico do produto é tão intensa que as pessoas chegam a ser levadas ao consumo apenas pelo valor mágico que lhe atribuem. Deste modo, um jovem não necessita de comprar uma determinada marca de calças porque é imprescendível, mas porque é sinal de prestígio, elegância, estatuto social.

Não é a coisa sem si que se pretende comprar, mas é a marca que se pretende adquirir, independentemente do produto, a marca é uma espécie de assinatura.

Por esta razão, é muito importante para o Marketing a Publicidade, centrando-se na criatividade, na promoção, no reforço, no slogan ... o que interessa é criar uma ligação entre o consumidor e a marca.

O discurso publicitário é concebido para ser endereçado ao Logos e ao Pathos, ou seja, apela à inteligência e à emoção, mas sempre dando maior enfâse à emoção.

Exercícios sobre argumentos informais.


1. Identifique as seguintes falácias/argumentos informais.

a) “Toda a gente sabe que a Terra é plana. Por isso, não faz sentido continuares a pensar o contrário.”
b)”As teorias da evolução de Darwin não podem ser verdadeiras. A Bíblia diz que todas as coisas foram criadas em 7 dias.”
c) “Deve ler a última novela de Carlos Baleia. Já vendeu um milhão de cópias e quase todos os habitantes da sua rua falam deles.”
d) “Os médicos dizem que nos devemos abster do tabaco. Mas já vi médicos a fumar em plena consulta. Logo, não há motivo para deixar de fumar.”
e) “O nosso jornal merece o apoio de todos os Alemães. Continuaremos a enviar exemplares para a sua casa e esperamos que não queira sujeitar-se a consequências desagradáveis no caso de deixar de ser nosso assinante.”
f) “Aposto que esse filme não presta. Os críticos de cinema do Expresso e de O Independente – curiosamente de acordo – consideram-no um desperdício de tempo e de película. Não vás ver isso!”

MAU USO DA RETÓRICA / MANIPULAÇÃO

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Quando falamos do mau uso da retórica, falamos necessariamente em manipulação. A manipulação é a utilização indevida da argumentação com o intuito de levar os interlocutores a aderir acrítica e involuntariamente às propostas do orador.
As ideias que apresentam não são para serem discutidas, o orador concentra os seus esforços no desenvolvimento de técnicas adequadas à sua imposição. Atribui os seus pontos de vista o valor de dogmas ou verdades incontroversas, impondo-as como se a argumentação fosse uma actividade monológica e unilateral. A manipulação intencional ocorre em situações da vida quotidiana, assumindo uma importância privilegiada nas técnicas demagógicas e agressivas de venda e de propaganda eleitoral. Nestas condições, o emissor assume, à partida, o papel de vencedor, atribuindo aos interlocutores o de vencidos. Não se estabelece entre orador e auditório uma relação entre iguais, mas uma relação de domínio em que o primeiro se propõe, intencional e voluntariamente, enganar o segundo.
Neste sentido, temos o erro, mentira e engano. O que há em comum entre ambos é a falsidade das afirmações. O erro tem um sentido idêntico ao que atribuímos à frase latina Errare humanum est, deixando transparecer uma relativa desculpabilização. De facto, aquele que erra faz uma afirmação falsa, estando convencido de que é verdadeira. Erra-se por desconhecimento ou por incapacidade, mas não por má-fé.
Diferentemente, a mentira forja-se no interior de um sujeito mal intencionado e consciente de que aquilo que diz não corresponde à realidade. Estamos perante uma pessoa mentirosa se:
1º Conhecer a verdade e saber que aquilo que diz é falso.
2º Ter a intenção de enganar alguém, fazendo-se passar por uma pessoa credível.
O engano pressupõe a mentira, mas nem toda a mentira é enganadora. È que, para que ocorra o engano, não bastam as intenções do mentiroso, sendo necessário que o interlocutor se deixe enganar, isto é, acredite no que lhe é dito.

Bom uso da retórica

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Considera-se legítima a forma de persuadir efectuada pelo uso de argumentos racionais, em que o poder convincente advém fundamentalmente daquilo que eles expressam e da sua estrutura organizativa. Há uma predominância do logo, a quem compete controlar os aspectos menos racionais associados ao ethos e ao pathos. Fala-se de persuasão, retórica branca, uso ético, ou bom uso da retórica, a propósito da argumentação que permite aos constituintes do auditório ajuizarem, expressarem-se e decidirem de modo consciente e crítico. Com efeito, só existe argumentação se o interlocutor for capaz de avaliar criticamente os argumentos que lhe são apresentados. E quem argumenta tem de o fazer na convicção de que o auditório está na posse das suas competências cognitivas, sendo capaz de deliberar e tomar racionalmente as suas decisões.

Ética ambiental

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"A questão ética fundamental do nosso tempo consiste no repensar dos fundamentos das múltiplas formas de agir, um repensar capaz de enfrentar a carência de uma medida, de um equilíbrio para a perigosa desmesura do nosso poder, que se tornou uma ameaça para a Humanidade e para a biosfera.
Nesta questão está em jogo não só a vida física, mas também a identidade da nossa própria imagem como seres racionais.
O nosso domínio auto e heteredestruidor sobre a Natureza ficou a dever-se tanto aos modelos deficientes de representação da realidade natural por parte da razão teórica, como também à fragilidade deliberativa, à sedução do poder incondicional que embalou a nossa razão prática na utopia de nos tornarmos novos deuses. (…)
A ética ambiental não significa, necessariamente, o sacrifício da autonomia do agente ético, nem a abolição de uma legislação da liberdade. Pelo contrário, a ética ambiental pode ser entendida como a designação hodierna de uma ética de liberdade, uma denominação a partir das tarefas prioritárias associadas à harmonização entre as obrigações e os direitos dos homens perante e no seio da natureza."
Viriato Soromenho Marques, in Ética Ambiental e Liberdade.


1 - Encontre elementos no texto, que nos elucidem acerca da necessidade de implementar uma ética ambiental.

2 - Produza um texto argumentativo, onde defenda aquilo que na sua perspectiva deve ser feito para fazer surgir uma ética ambiental.Sugestão de conceitos a utilizar: ecologia, meio ambiente, natureza, equilíbrio, interacção, ecossistema, técnica, ciência, responsabilidade. humana, ética ambiental, destruição, futuro, gerações, liberdade humana, camada de ozono, lixo tóxico, energia nuclear.

(Retirado do site Netprof)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A Argumentação hoje



"De facto, discute-se tudo e em qualquer sítio: em família, no escritório, no atelier, na escola, nas relações profissionais, nos congressos, nos jornais, na rádio, na televisão. (..) Na nossa época, em que propagandas de todos os tipos são cada vez mais pressionantes, mais insinuantes e dispõem de potência acrescida nos média, a juventude tem que ser, mais do que nunca, iniciada nas técnicas da persuasão com as quais é quotidianamente "metralhada"." A. Hella


1. Tendo presente o texto, discuta a importância e a necessidade da argumentação para o emergir do universo comunicativo.
(Retirado do site Netprof)

Aristóteles


Na filosofia aristotélica a política é um desdobramento natural da ética. Ambas, na verdade, compõem a unidade do que Aristóteles chamava de filosofia prática.
Se a ética está preocupada com a felicidade individual do homem, a política se preocupa com a felicidade colectiva da polis. Desse modo, é tarefa da política investigar e descobrir quais são as formas de governo e as instituições capazes de assegurar a felicidade colectiva. Trata-se, portanto, de investigar a constituição do estado.
Acredita-se que as reflexões aristotélicas sobre a política originam-se da época em que ele era preceptor de Alexandre, o Grande.

Direito
Para Aristóteles, assim como a política, o direito também é um desdobramento da ética. O direito para Aristóteles é uma ciência dialéctica, por ser fruto de teses ou hipóteses, não necessariamente verdadeiras, validadas principalmente pela aprovação da maioria.

Retórica
Aristóteles considerava importante o conhecimento da retórica, já que ela se constituiu em uma técnica (por habilitar a estruturação e exposição de argumentos) e por relacionar-se com a vida pública. O fundamento da retórica é o entimema (silogismo truncado, incompleto), um silogismo no qual se subentende uma premissa ou uma conclusão. O discurso retórico opera em três campos ou géneros: género deliberativo, género judicial e género epidítico (ostentoso, demonstrativo).

Sócrates


Sócrates (em grego, Σωκράτης [Sōkrátēs], (470399 a.C.) foi um filósofo ateniense, um dos mais importantes ícones da tradição filosófica ocidental, e um dos fundadores da actual Filosofia Ocidental. As fontes mais importantes de informações sobre Sócrates são Platão, Xenofonte e Aristóteles (Alguns historiadores afirmam só se poder falar de Sócrates como um personagem de Platão, por ele nunca ter deixado nada escrito de sua própria autoria.). Os diálogos de Platão retratam Sócrates como mestre que se recusa a ter discípulos, e um homem piedoso que foi executado por impiedade. Sócrates não valorizava os prazeres dos sentidos, todavia se escalava o belo entre as maiores virtudes, junto ao bom e ao justo. Dedicava-se ao parto das ideias (Fedro) dos cidadãos de Atenas, mas era indiferente em relação a seus próprios filhos.
O julgamento e a execução de Sócrates são eventos centrais da obra de Platão (Apologia e Críton). Sócrates admitiu que poderia ter evitado sua condenação (beber o veneno chamado cicuta) se tivesse desistido da vida justa. Mesmo depois de sua condenação, ele poderia ter evitado sua morte se tivesse escapado com a ajuda de amigos. A razão para sua cooperação com a justiça da pólis e com seus próprios valores mostra uma valiosa faceta de sua filosofia, em especial aquela que é descrita nos diálogos com Críton.

Vida
Detalhes sobre a vida de Sócrates derivam de três fontes contemporâneas: os diálogos de Platão, as peças de Aristófanes e os diálogos de Xenofonte. Não há evidência de que Sócrates tenha ele mesmo publicado alguma obra. As obras de Aristófanes retratam Sócrates como um personagem cómico e sua representação não deve ser levada ao pé da letra.
Sócrates casou-se com Xântipe, que era bem mais jovem que ele, e teve três filhos: Lamprocles, Sophroniscus e Menexenus. Seu amigo Críton criticou-o por ter abandonado seus filhos quando ele se recusou a tentar escapar antes de sua execução, mostrando que ele (assim como seus outros discípulos), parece não ter entendido a mensagem que Sócrates tenta passar sobre a morte (diálogo Fédon), antes de ser executado.
Não se sabe ao certo qual o trabalho de Sócrates, se é que houve outro além da Filosofia. De acordo com algumas fontes, Sócrates aprendeu a profissão de oleiro com seu pai. Na obra de Xenofonte, Sócrates aparece declarando que se dedicava àquilo que ele considerava a arte ou ocupação mais importante: maiêutica, o parto das ideias. Platão afirma que Sócrates não recebia pagamento por suas aulas. Sua pobreza era prova de que não era um sofista.
Várias fontes, inclusive os diálogos de Platão, mencionam que Sócrates tinha servido ao exército em várias batalhas. Na Apologia, Sócrates compara seu período no serviço militar a seus problemas no tribunal, e diz que qualquer pessoa no júri que imagine que ele deveria se retirar da filosofia deveria também imaginar que os soldados devessem bater em retirada quando era provável que pudessem morrer em uma batalha.
Algumas curiosidades: Sócrates costumava caminhar descalço e não tinha o hábito de tomar banho. Em certas ocasiões, parava o que quer que estivesse fazendo, ficando imóvel por horas, meditando sobre algum problema. Certa vez o fez descalço sobre a neve, segundo os escritos de Platão, o que demonstra o carácter legendário da figura Socrática.

Sócrates apontando para o alto, sereno, no leito de morte, Jacques-Louis David, 1787: notam-se amigos de Sócrates lamentando sua condenação e até mesmo o próprio carcereiro nem um pouco satisfeito com a determinação.

Ideias filosóficas
As crenças de Sócrates, em comparação às de Platão, são difíceis de discernir. Há poucas diferenças entre as duas ideias filosóficas. Consequentemente, diferenciar as crenças filosóficas de Sócrates, Platão e Xenofonte é uma tarefa difícil e deve-se sempre lembrar que o que é atribuído a Sócrates pode reflectir o pensamento dos outros autores.
Se algo pode ser dito sobre as ideias de Sócrates, é que ele foi moralmente, intelectualmente e filosoficamente diferente de seus contemporâneos atenienses. Quando estava sendo julgado por heresia e por corromper a juventude, usou seu método para demonstrar as crenças erróneas de seus julgadores. Sócrates acredita na imortalidade da alma e que teria recebido, em um certo momento de sua vida, uma missão especial do Deus Apolo Apologia, a defesa do logos apolíneo "conhece-te a ti mesmo".
Sócrates também duvidava da ideia sofista de que a aréte (virtude) podia ser ensinada. Acreditava que a excelência moral é uma questão de inspiração e não de parentesco, pois pais moralmente perfeitos não tinham filhos semelhantes a eles. Isso talvez tenha sido a causa de não ter se importado muito com o futuro de seus próprios filhos. Sócrates frequentemente diz que suas ideias não são próprias, mas de seus mestres, entre eles Pródico e Anaxágoras de Clazômenas.

Conhecimento
Sócrates sempre dizia que sua sabedoria era limitada à sua própria ignorância (Só sei que nada sei.). Ele acreditava que os actos errados eram consequências da própria ignorância. Nunca proclamou ser sábio. A intenção de Sócrates era levar as pessoas a se sentirem ignorantes de tanto perguntar, problematização sobre conceitos que as pessoas tinham dogmas, verdades. De tanto questionar, principalmente os sábios, começou arrebanhar inimigos.

Virtude
Sócrates acreditava que o melhor modo para as pessoas viverem era se concentrando no próprio desenvolvimento ao invés de buscar a riqueza material. Convidava outros a se concentrarem na amizade e em um sentido de comunidade, pois acreditava que esse era o melhor modo de se crescer como uma população. Suas acções são provas disso: ao fim de sua vida, aceitou sua sentença de morte quando todos acreditavam que fugiria de Atenas, pois acreditava que não podia fugir de sua comunidade. Acreditava que os seres humanos possuíam certas virtudes, tanto filosóficas quanto intelectuais. Dizia que a virtude era a mais importante de todas as coisas.

Política
Diz-se que Sócrates acreditava que as ideias pertenciam a um mundo que somente os sábios conseguiam entender, fazendo com que o filósofo se tornasse o perfeito governante para um Estado. Se opunha à democracia aristocrática que era praticada em Atenas durante sua época. Acreditava que a perfeita república deveria ser governada por filósofos. Acreditava também que os tiranos eram até mesmo mais legítimos que a democracia.

Retirado da Wikipédia

Platão

Foto reitirada da net



Platão de Atenas (428/27347 a.C.) foi um filósofo grego.
Discípulo de Sócrates, fundador da Academia e mestre de Aristóteles. Acredita-se que seu nome verdadeiro tenha sido Arístocles; Platão era um apelido que, provavelmente, fazia referência à sua característica física, tal como o porte atlético ou os ombros largos, ou ainda a sua ampla capacidade intelectual de tratar de diferentes temas. Πλάτος (plátos) em grego significa amplitude, dimensão, largura. Sua filosofia é de grande importância e influência. Platão ocupou-se com vários temas, entre eles ética, política, metafísica e teoria do conhecimento.



Vida
Platão nasceu em Atenas, provavelmente em 427 a.C. e morreu em 347 a.C. um ano após a morte do estadista Péricles. Seu pai, Aristão, tinha como ancestral o rei Codros e sua mãe, Perictione, tinha Sólon entre seus antepassados. Inicialmente, Platão entusiasmou-se com a filosofia de Crátilo, um seguidor de Heráclito. No entanto, por volta dos 20 anos, encontrou o filósofo Sócrates e tornou-se seu discípulo até a morte deste. Pouco depois de 399 a.C., Platão esteve em Mégara com alguns outros discípulos de Sócrates, hospedando-se na casa de Euclides. Em 388 a.C., quando já contava quarenta anos, Platão viajou para a Magna Grécia com o intuito de conhecer mais de perto comunidades pitagóricas. Nesta ocasião, veio a conhecer Arquitas de Tarento. Ainda durante essa viagem, Dionísio I convidou Platão para ir à Siracusa, na Sicília. Platão partiu para Siracusa com a esperança de lá implantar seus ideais políticos. No entanto, acabou se desentendendo com o tirano local e retornou para Atenas.
Em seu retorno, fundou a Academia de Física. A instituição logo adquiriu prestígio e a ela acorriam inúmeros jovens em busca de instrução e até mesmo homens ilustres a fim de debater ideias. Em 367 a.C., Dionísio I morreu, e Platão retornou à Siracusa a fim de mais uma vez tentar implementar suas ideias políticas na corte de Dionísio II. No entanto, o desejo do filósofo foi novamente frustrado. Em 361 a.C. voltou pela última vez à Siracusa com o mesmo objectivo e pela terceira vez fracassa. De volta para Atenas em 360 a.C., Platão permaneceu na direcção da Academia até sua morte, em 347 a.C.

Pensamentos de Platónicos
Em linhas gerais, Platão desenvolveu a noção de que o homem está em contacto permanente com dois tipos de realidade: a inteligível e a sensível. A primeira é a realidade, mais , imutável, igual a si mesma. A segunda são todas as coisas que nos afectam os sentidos, são realidades dependentes, mutáveis e são imagens das realidades inteligíveis.
Tal concepção de Platão também é conhecida por Teoria das Ideias ou Teoria das Formas. Foi desenvolvida como hipótese no diálogo Fédon e constitui uma maneira de garantir a possibilidade do conhecimento e fornecer uma inteligibilidade relativa aos fenómenos.
Para Platão, o mundo concreto percebido pelos sentidos é uma pálida reprodução do mundo das Ideias. Cada objecto concreto que existe participa, junto com todos os outros objectos de sua categoria de uma Ideia perfeita. Uma determinada caneta, por exemplo, terá determinados atributos (cor, formato, tamanho etc). Outra caneta terá outros atributos, sendo ela também uma caneta, tanto quanto a outra. Aquilo que faz com que as duas sejam canetas é, para Platão, a Ideia de Caneta, perfeita, que esgota todas as possibilidades de ser caneta. A ontologia de Platão diz, então, que algo é na medida em que participa da Ideia desse objecto. No caso da caneta é irrelevante, mas o foco de Platão são coisas como o ser humano, o bem ou a justiça, por exemplo.
O problema que Platão propõe-se a resolver é a tensão entre Heráclito de ÉfesoHeráclito e Parménides de EléiaParménides: para o primeiro, o ser é a mudança, tudo está em constante movimento e é uma ilusão a estaticidade, ou a permanência de qualquer coisa; para o segundo, o movimento é que é uma ilusão, pois algo que é não pode deixar de ser e algo que não é não pode ser, assim, não há mudança. Ou seja (por exemplo), o que faz com que determinada árvore seja ela mesma desde o estágio de semente até morrer, e o que faz com que ela seja tão árvore quanto outra de outra espécie, com características tão diferentes? Há aqui uma mudança, tanto da árvore em relação a si mesma (com o passar do tempo ela cresce) quanto da árvore em relação a outra. Para Heráclito, a árvore está sempre mudando e nunca é a mesma, e para Parménides, ela nunca muda, é sempre a mesma e é uma ilusão sua mudança.
Platão resolve esse problema com sua Teoria das Ideias. O que há de permanente em um objecto é a Ideia, mais precisamente, a participação desse objecto na sua Ideia correspondente. E a mudança ocorre porque esse objecto não é uma Ideia, mas uma incompleta representação da Ideia desse objecto. No exemplo da árvore, o que faz com que ela seja ela mesma e seja uma árvore (e não outra coisa), a despeito de sua diferença daquilo que era quando mais jovem e de outras árvores de outras espécies (e mesmo das árvores da mesma espécie) é sua participação na Ideia de Árvore; e sua mudança deve-se ao fato de ser uma pálida representação da Ideia de Árvore.Platão também elaborou uma teoria gnoseológica, ou seja, uma teoria que explica como se pode conhecer as coisas, ou ainda, uma teoria do conhecimento. Segundo ele, ao vermos um objecto repetidas vezes, uma pessoa lembra-se, aos poucos, da Ideia daquele objecto, que viu no mundo das Ideias. Para explicar como se dá isso, Platão recorre a um mito (ou uma metáfora) que diz que, antes de nascer, a alma de cada Pessoa (biologia)pessoa vivia em uma estrela, onde localizam-se as Ideias. Quando uma pessoa nasce, sua alma é "jogada" para a Terra, e o impacto que ocorre faz com que esqueça o que viu na estrela. Mas ao ver um objecto aparecer de diferentes formas (como as diferentes árvores que se pode ver), a alma recorda-se da Ideia daquele objecto que foi vista na estrela. Tal recordação, em Platão, chama-se anamnesis.



A reminiscência
Uma das condições para a indagação ou investigação acerca das Ideias é que não estamos em estado de completa ignorância sobre elas. Do contrário, não teríamos nem desejo nem poder de procurá-las. Em vista disso, é uma condição necessária (para tal investigação) que tenhamos em nossa alma alguma espécie de conhecimento ou lembrança de nosso contacto com as Ideias (contacto esse ocorrido antes do nosso próprio nascimento) e nos recordamos das Ideias por vê-las reproduzidas palidamente nas coisas. Deste modo, toda a ciência platónica é uma reminiscência. A investigação das Ideias supõe que as almas preexistiram em uma região divina onde contemplavam as Ideias. Podemos tomar como exemplo o Mito da Parelha Alada, localizado no diálogo Fedro, de Platão. Neste diálogo, Platão compara a raça humana a carros alados. Tudo o que fazemos de bom, dá forças às nossas asas. Tudo o que fazemos de errado, tira força das nossas asas. Ao longo do tempo fizemos tantas coisas erradas que nossas asas perderam as forças e, sem elas para nos sustentarmos, caímos no Mundo Sensível, onde vivemos até hoje. A partir deste momento, fomos condenados a vermos apenas as sombras do Mundo das Ideias.



Conhecimento
Platão não buscava as verdadeiras essências da forma física como buscavam Demócrito e seus seguidores, sob a influência de Sócrates buscava a verdade essencial das coisas. Platão não poderia buscar a essência do conhecimento nas coisas, pois estas são corruptíveis, ou seja, variam, mudam, surgem e se vão. Como o filósofo deveria buscar a verdade plena, deveria buscá-la em algo estável, as verdadeiras causas, pois logicamente a verdade não pode variar, se há uma verdade essencial para os homens esta verdade deve valer para todas as pessoas. Logo, a verdade deve ser buscada em algo superior. Nas coisas devem ter um outro fundamento, que seja além do físico, a forma de buscar estas realidades vem do conhecimento, não das coisas, mas do além das coisas. Esta busca racional é contemplativa, isto significa buscar a verdade no interior do próprio homem. Porém o próprio homem não é meramente sujeito particular, mas como um participante das verdades essenciais do ser.
Platão assim como seu mestre Sócrates busca descobrir as verdades essenciais das coisas. O conhecimento era assim o conhecimento do próprio homem, mas sempre ressaltando o homem não enquanto corpo, mas enquanto alma. O conhecimento que continha na alma era a essência daquilo que existia no mundo sensível, assim em Platão também a técnica e o mundo sensível eram secundários. A alma humana enquanto perfeita participa do mundo perfeito das ideias, porém este formalismo só é reconhecível na experiência sensível.
Também o conhecimento tinha fins morais, isto é, levar o homem à bondade e à felicidade. Assim a forma de conhecimento era um reconhecimento, que faria o homem dar-se conta das verdades que sempre já possuía e que o levavam a discernir melhor dentre as aparências de verdades e as verdades. A obtenção do auto conhecimento era um caminho árduo e metódico.
Referente ao mundo material o homem pode ter somente a doxa (opinião) e téchne (técnica), que permitia a sobrevivência do homem, ao passo que referente ao mundo das ideias, ou verdadeiro conhecimento filosófico, o homem pode ter a episteme (verdadeiro conhecimento). Platão não defendia que todas as pessoas tivessem iguais acessos à razão. Apesar de todos terem a alma perfeita, nem todos chegavam à contemplação absoluta do mundo das ideias.



Política
Os males não cessarão para os humanos antes que a raça dos puros e autênticos filósofos chegue ao poder, ou antes, que os chefes das cidades, por uma divina graça, ponham-se a filosofar verdadeiramente." (Platão, Carta Sétima, 326b).
Esta afirmação de Platão deve ser compreendida baseado na teoria do conhecimento, e lembrando que o conhecimento para Platão tem fins morais. Mas cumpre ressaltar outro aspecto: Platão acreditava que existiam três espécies de virtudes baseadas na alma.
A primeira virtude era a da sabedoria, deveria ser a cabeça do Estado, ou seja, a governante, pois possui carácter de ouro e utiliza a razão.
A segunda espécie de virtude é a coragem, deveria ser o peito do Estado, isto é, os soldados, pois sua alma de prata é imbuída de vontade.
E, por fim, a virtude da temperança, que deveria ser o baixo-ventre do Estado, ou os trabalhadores, pois sua alma de bronze orienta-se pelo desejo das coisas sensíveis.



O homem e a alma
O homem para Platão era dividido em corpo e alma. O corpo era a matéria e a alma era o imaterial e o divino que o homem possuía. Ao passo que o corpo sempre está em constante mudança de aparência, forma... A alma não muda nunca, a partir do momento em que nascemos temos a alma perfeita, porém não sabemos. As verdades essenciais estão escritas na alma eternamente, porém ao nascermos esquecemos, pois a alma é aprisionada no corpo.
Para Platão a alma é divida em 3 partes:
1 Racional: cabeça; esta tem que controlar as outras duas partes. Sua virtude é a sabedoria ou prudência (phrónesis).
2 Irascível: tórax; parte da impetuosidade, dos sentimentos. Sua virtude é a coragem (andreía).
3 Concupiscente: baixo ventre; apetite, desejo, mesmo carnal (sexual), ligado ao libido. Sua virtude é a moderação ou temperança (sophrosýne).
Platão acreditava que a alma depois da morte reencarnava em outro corpo, mas a alma que se ocupava com a filosofia e com o Bem, esta era privilegiada com a morte do corpo. A ela era concedida o privilégio de passar o resto de seus tempos em companhia dos deuses.
Por meio da relação de sua alma com a Alma do Mundo, o homem tem acesso ao mundo das Ideias e aspira ao conhecimento e às idéias do Bem e da Justiça. A partir da contemplação do mundo das Ideias, o Demiurgo, tal como Platão descreveu no Timeu, organizou o mundo sensível. Não se trata de uma criação ex nihilo, isto é, do nada, como no caso do Deus judaico-cristão, pois o Demiurgo não criou a matéria (Timeu, 53b) nem é a fonte da racionalidade das Ideias por ele contempladas. A acção do homem se restringe ao mundo material; no mundo das Ideias o homem não pode transformar nada. Pois, se é perfeito, não pode ser mais perfeito.

Protágoras


Protágoras de Abdera (Abdera, 480 a.C. - Sicília, 410 a.C.) foi quem cunhou a frase "o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são.", tendo como base para isso o pensamento de Heráclito. Tal frase expressa bem o relativismo tanto dos Sofistas em geral quanto o relativismo do próprio Protágoras. Se o homem é a medida de todas as coisas, então coisa alguma pode ser medida para os homens, ou seja, as leis, as regras, a cultura, tudo deve ser definido pelo conjunto de pessoas, e aquilo que vale em determinado lugar não deve valer, necessariamente, em outro. Esta máxima também significa que as coisas são conhecidas de uma forma particular e muito pessoal por cada indivíduo, o que vai contra, por exemplo, ao projecto de Sócrates de chegar ao conceito absoluto de cada coisa.
Assim como Sócrates, Protágoras foi acusado de ateísmo (tendo inclusive livros seus queimados em praça pública), motivo pelo qual fugiu de Atenas, estabelecendo-se na Sicília, onde morreu aos setenta anos.
Um dos diálogos platónicos tem como título Protágoras, onde é exposto um diálogo de Sócrates com o Sofista.
Protágoras foi amigo pessoal de Péricles.

Górgias


Górgias de Leontini (Lentini, 480 a.C. - Tessália, 375 a.C.) foi professor de retórica, filósofo e embaixador em Atenas, tendo ensinado na Sicília e em várias cidades gregas até estabelecer-se na Tessália, local onde morreu com 105 anos de idade.
Górgias demonstrou a confusão entre os dois sentidos do verbo "ser": tal verbo pode tanto ser um verbo de ligação, quanto assumir o significado de existir.
Ele também diferenciou a realidade (o ser), o pensamento (o pensar) e a linguagem (o dizer). Ele percebeu que se pode pensar e dizer coisas irreais; pode acontecer também que o real seja incognoscível (não pode ser conhecido) e incomunicável; e pode ocorrer também que o real, mesmo sendo cognoscível, seja incomunicável.
Górgias representa muito bem a prática sofista da retórica. Além de ter sido professor nesse campo, também reconhecia que a palavra tem um certo poder, já que a retórica destina-se justamente a convencer outras pessoas a adoptarem determinado ponto de vista.
Antístenes, fundador do Cinismo, foi ouvinte de Górgias, e Platão escreveu um diálogo intitulado Górgias, onde discute a função e a validade da retórica.

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Os Sofistas

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Os sofistas se compunham de grupos de mestres gregos que viajavam de cidade em cidade realizando aparições públicas (discursos, etc) para atrair estudantes, de quem cobravam taxas para oferecer-lhes educação. O foco central de seus ensinamentos concentrava-se no logos ou discurso, com foco em estratégias de argumentação. Os mestres sofistas alegavam que podiam “melhorar” seus discípulos, ou, em outras palavras, que a “virtude” seria passível de ser ensinada
Protágoras (481 a.C.-420 a.C.), Górgias (483 a.C.-376 a.C.), e Isócrates (436 a.C.-338 a.C.) estão entre os primeiros sofistas conhecidos.
Diversos sofistas questionaram a propalada sabedoria recebida pelos deuses e a supremacia da cultura grega (uma ideia absoluta à época). Argumentavam, por exemplo, que as práticas culturais existiam em função de convenções ou “nomos”, e que a moralidade ou imoralidade de um ato não poderia ser julgada fora do contexto cultural em que aquele ocorreu. Tal posição questionadora levou-os a serem perseguidos, inclusive, por aqueles que se diziam amar a sabedoria: os filósofos gregos.
A conhecida frase “o homem é a medida de todas as coisas” surgiu dos ensinamentos sofistas. Uma das mais famosas doutrinas sofistas é a teoria do contra-argumento. Eles ensinavam que todo e qualquer argumento poderia ser contraposto por outro argumento, e que a efectividade de um dado argumento residiria na verosimilhança (aparência de verdadeiro, mas não necessariamente verdadeiro) perante uma dada plateia.
Os Sofistas foram os primeiros advogados do mundo, ao cobrar de seus clientes para efectuar suas defesas, dada sua alta capacidade de argumentação. São também considerados por muitos os guardiões da democracia na antiguidade, na medida em aceitavam a relatividade da verdade. Hoje, a aceitação do "ponto de vista alheio" é a pedra fundamental da democracia moderna.
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Sofisma e Sofística

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Sofisma (do grego antigo σόϕισμα -ατος, derivado de σοϕίξεσϑαι "fazer raciocínios capciosos") em Filosofia é um raciocínio aparentemente válido, mas inconclusivo, pois é contrário às próprias leis. Também são considerados sofismas os raciocínios que partem de premissas verdadeiras ou verossímeis, mas que são concluídos de uma forma inadmissível ou absurda. Por definição, o sofisma tem o objetivo de dissimular uma ilusão de verdade, apresentado-a sob esquemas que aparentam seguir as regras da lógica.
Historicamente o termo sofista, no primeiro e mais comum significado, é equivalente ao paralogismo matemático, que é uma demonstração aparentemente rigorosa que, todavia, conduz a um resultado nitidamente absurdo. Atualmente, no uso freqüente e do senso comum, sofisma é qualquer raciocínio caviloso ou falso, mas que se apresenta com coerência e que tem por objetivo induzir outros indivíduos ao erro mediante ações de má-fé.

Origens
A designação de sofista, do grego Σοφιστής(sophistés), substantivação da forma adjectiva e verbal que remete a sofía e a sófos, utilizada para identificar aquele grupo de pensadores,filósofos e letrados da sofística helénica, recolhe em si o polissemantismo bem significativo de uma diversa apreciação dos sofistas. Por um lado, é neste sentido típico e dominantemente pejorativo, caracterizado por Platão como: um impostor, caçador interessado em jovens ricos, comerciante didáctico e atleta em combate verbalístico ou erístico, purificador de opiniões, mas também malabarista de argumentos, mais verosímeis do que verdadeiros, mais sedutores do que plausíveis. O sofista é, neste sentido, menos o filósofo como amigo ou amante do saber do que o «sábio» na acepção não pedagógica de uma descoberta da verdade, mas segundo o modelo da transmissão de um ensinamento e, por conseguinte, segundo a forma tradicional de uma didáskalos, ou seja, de uma didáctica. Para o paradigmático entendimento que Platão faz dos sofistas, tal transmissão dos ensinamentos reduz-se a comércio interesseiro de saberes mnemotécnicos, retóricos e sempre relativos.
As palavras sofista, sofística (do grego antigo: σοφιστής, σοφιστικός; derivada σοφός - "sábio", "instruído"), assumem diferentes significados ao longo da história da filosofia, que merecem ser distinguidos:
Chama-se sofista ou sofístico, um conjunto de pensadores, oradores e professores gregos do século V a.C. (e do início do século seguinte).
Em Platão, seguido da maior parte dos filósofos até aos nossos dias, uma perversão voluntária do raciocínio demonstrativo para fins geralmente imorais.
O desenvolvimento da reflexão e o ensino da retórica, em princípio a partir do século I d.C., na prática a partir do século II, no Império romano.
Sofística era originalmente o termo dado às técnicas ensinadas por um grupo altamente respeitado de professores retóricos na Grécia antiga. O uso moderno da palavra, sugestionando um argumento inválido composto de raciocínio especioso, não é necessariamente o representante das convicções do sofistas originais, a não ser daquele que geralmente ensinaram retórica. Os sofistas só são conhecidos hoje pelas escritas de seus oponentes (mais especificamente, Platão e Aristóteles) que dificulta formular uma visão completa das convicções dos sofistas.
Os sofistas são os primeiros a romperem com a busca pré-socrática por uma unidade originária (a physis) iniciada com Tales de Mileto e finalizada em Demócrito de Abdera (que embora tenha falecido pouco tempo depois de Sócrates, tem seu pensamento inserido dentro da filosofia pré-socrática).
A principal doutrina sofística consiste, em uma visão relativa de mundo (o que os contrapõe a Sócrates que, sem negar a existência de coisas relativas buscava verdades universais e necessárias). A principal doutrina sofística pode ser expressa pela máxima de Protágoras: "O homem é a medida de todas as coisas".
Tal máxima expressa o sentido de que não é o ser humano quem tem de se moldar a padrões externos a si, que sejam impostos por qualquer coisa que não seja o próprio ser humano, e sim o próprio ser humano deve moldar-se segundo a sua liberdade. Outro sofista famoso foi Górgias de Leontini, que afirmava que o 'ser' não existia. Segundo Górgias, mesmo que se admitisse que o 'ser' exista, é impossível captá-lo. Mesmo que isso fosse possível, não seria possível enunciá-lo de modo verdadeiro e, portanto, seria sempre impossível qualquer conhecimento sobre o 'ser'.
Estas visões contrastantes com a de Sócrates (que foram adotadas também por Platão e Aristóteles, bem como sua "luta" anti-sofista) somada ao fato de serem estrangeiros - o que lhes conferia um menor grau de credibilidade entre os atenienses - contribuiu para que seu pensamento fosse subvalorizado até tempos recentes.

Moral, Direito, Religião


A sofistica sustenta o relativismo prático, destruidor da moral. Como é verdadeiro o que tal ao sentido, assim é bem o que satisfaz ao sentimento, ao impulso, à paixão de cada um em cada momento. Ao sensualismo, ao empirismo gnoseológicos correspondem o hedonismo e o utilitarismo ético: o único bem é o prazer, a única regra de conduta é o interesse particular. Górgias declara plena indiferença para com todo moralismo: ensina ele a seus discípulos unicamente a arte de vencer os adversários; que a causa seja justa ou não, não lhe interessa. A moral, portanto, - como norma universal de conduta - é concebida pelos sofistas não como lei racional do agir humano, isto é, como a lei que potencia profundamente a natureza humana, mas como um empecilho que incomoda o homem. Desta maneira, os sofistas estabelecem uma oposição especial entre natureza e lei, quer política, quer moral, considerando a lei como fruto arbitrário, interessado, mortificador, uma pura convenção, e entendendo por natureza, não a natureza humana racional, mas a natureza humana sensível, animal, instintiva. E tentam criticar a vaidade desta lei, na verdade tão mutável conforme os tempos e os lugares, bem como a sua utilidade comummente celebrada: não é verdade - dizem - que a submissão à lei torne os homens felizes, pois grandes malvados, mediante graves crimes, têm frequentemente conseguido grande êxito no mundo e, aliás, a experiência ensina que para triunfar no mundo, não é mister justiça e rectidão, mas prudência e habilidade. Então a realização da humanidade perfeita, segundo o ideal dos sofistas, não está na acção ética e ascética, no domínio de si mesmo, na justiça para com os outros, mas no engrandecimento ilimitado da própria personalidade, no prazer e no domínio violento dos homens. Esse domínio violento é necessário para possuir e gozar os bens terrenos, visto estes bens serem limitados e ambicionados por outros homens. É esta, aliás, a única forma de vida social possível num mundo em que estão em jogo unicamente forças brutas, materiais. Seria, portanto, um prejuízo a igualdade moral entre os fortes e os fracos, pois a verdadeira justiça conforme a natureza material, exige que o forte, o poderoso, oprima o fraco em seu proveito. Quanto ao direito e à religião, a posição da sofistica é extremista também, naturalmente, como na gnoseologia e na moral. A sofistica move uma justa crítica, contra o direito positivo, muitas vezes arbitrário, contingente, tirânico, em nome do direito natural. Mas este direito natural - bem como a moral natural - segundo os sofistas, não é o direito fundado sobre a natureza racional do homem, e sim sobre a sua natureza animal, instintiva, passional. Então, o direito natural é o direito do mais poderoso, pois em uma sociedade em que estão em jogo apenas forças brutas, a força e a violência podem ser o único elemento organizador, o único sistema jurídico admissível.


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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A persuasão e refutação



Será a Retórica a técnica da eloquência em que o bom orador é o indivíduo capaz de proferir discursos convincentes perante um vasto auditório? Os interesses predominam e a retórica é indiferente à verdade, consituindo um instrumento técnico moralmente neutro, na medida em que pretende atingir qualquer objectivo. O que guia o "bom orador" é somente a eficácia do seu discurso, e este será eficaz na medida em que se revela útil ao próprio orador, facultando-lhe a adesão das multidões aos seus propósitos e conveniências. A retórica mostra-se-nos, pois como um isntrumento de domínio político que confere o triunfo aos que sabem manejar a palavra. A eficácia e acção realiza-se através da palavra. Que palavra é essas que a retórica utiliza e de que modo, se as outras "artes" também utilizam a palavra nos seus discursos? Será a retórica uma "ponte" que se estabelece entre as outras "artes" e a forma de as comunicar ao auditório como uma arte que adorna a palavra para a tornar mais audível e disponível ao público?

A retórica não utiliza somente a palavra como mediação, mas ela é o objecto concreto do seu trabalho, pois o seu objectivo é torná-la aliciante e promissora àqueles que a ouvem. Se com a retórica o home ganha a capacidade para persuadir, então ela é "obreira da persuasão", sendo a persuasão toda a sua essência.

Verificamos que o orador não se preocupa com a fundamentação do seu saber, mas usa-o apenas em vista do seu uso prático.


Glossário:


Sofista - É o mestre da palavra que em Atenas ensinava a retórica e as ciências da época. Sendo considerado como possuir de opiniões subtis e audaciosas sobre questões da moral e da política. O seu ensinamento pretendia apenas uma utilidade prática.


Orador - É aquele que profere um discurso em público. Assim, o sofista pode ser um orador, mas o contrário pode não ser verdadeiro.


Retórica- É entendida como a arte de bem falar, independente do saber.


Oratória - É a própria eloquência que utiliza a palavra para explicar o próprio saber.


Persuasão - É o acto de convencer alguém a uma dada crença.


Refutação - É o acto de negar a tese, a ideia do adversário, apresentando argumentos ou teses contrárias.

Persuasão

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Persuasão (de persuadere, em que o prefixo per tem valor intensivo, e "suadere", aconselhar) é um processo que consiste em levar alguém a adoptar uma ideia, atitude ou realizar uma acção, por meios lógico-racionais ou simbólicos. É o emprego de argumentos, legítimos ou não, com o propósito de se conseguir que outros indivíduos adoptem certas linhas de conduta, teorias ou crenças.
Segundo Aristóteles, a Retórica é a arte de descobrir, em cada caso particular, os meios disponíveis de persuasão.




Alguns métodos de persuasão

Mediante o apelo à razão
Argumentação
Lógica
Método científico
Prova

Mediante o apelo à emoção
Retórica

Tradição
Propaganda
Publicidade
Controle mental
Valores

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Retórica

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A retórica é a técnica (ou a arte, como preferem alguns) de convencer o interlocutor através da oratória, ou outros meios de comunicação. Classicamente, o discurso no qual se aplica a retórica é verbal, mas há também — e com muita relevância — o discurso escrito e o discurso visual.
Em verdade, a oratória é um dos meios pelos quais se manifesta a retórica, mas não o único. Pois, certamente, pode-se afirmar que há retórica na música ("Para não dizer que não falei da Flores", de Geraldo Vandré: retórica musical contra a ditadura), na pintura (O quadro "Guernica", de Picasso: retórica contra o fascismo e a guerra) e, obviamente, na publicidade. Logo, a retórica, enquanto método de persuasão, pode se manifestar por todo e qualquer meio de comunicação.
A retórica aristotélica, de certa forma herdeira daquela de Sócrates, procura fazer o interlocutor convencer-se de que o emissor está correcto, através de seu próprio raciocínio. Retórica não visa distinguir o que é verdadeiro ou certo mas sim fazer com que o próprio receptor da mensagem chegue sozinho à conclusão de que a ideia implícita no discurso representa o verdadeiro ou o certo.
A retórica era parte de uma das "três artes liberais" ou "trivium" ensinadas nas faculdades da Idade Média (as outras duas corresponderiam à dialéctica e gramática).

Quem deseja ter razão de certo a terá com o mero facto de possuir língua.



Após a ascensão romana, a oratória tornou-se a tradução latina de retórica, enquanto técnica de comunicação. Com uma distinção todavia: enquanto o núcleo da retórica compunha-se de técnicas de contestação (persuasão), a oratória visava a eloquência.
A mudança de rumos se deve exactamente ao ambiente em que as duas técnicas se encontraram. Enquanto a retórica grega existiu em ambiente democrático, a oratória (que originou-se da retórica) desenvolveu-se em ambientes totalitários.

Oratória ainda se refere a busca da beleza na fala (estilo), enquanto retórica é definida como a "arte da persuasão". Retórica é o aperfeiçoamento dos artifícios segundo Córax é uma arte "criadora da persuasão" Quintiliano diz que "Retórica é a própria moralidade do orador" Retórica persuasão Oratória arte de falar em publico

O primeiro estudo sistematizado acerca do poder da linguagem em termos de persuasão é atribuído ao filósofo Empédocles (444 AC), do qual as teorias sobre o conhecimento humano iriam servir de base para vários teóricos da retórica. O primeiro livro de retórica escrito é comummente atribuído a Corax e seu pupilo Tísias. A sua obra, bem como as de diversos retóricos da antiguidade, surgiu das tribunas jurídicas; Tisias, por exemplo, é tido como autor de diversas defesas jurídicas defendidas por outras personalidades gregas (uma das funções primárias de um sofista). A Retórica foi popularizada a partir do século V A.C. por mestres peripatéticos (itinerantes) conhecidos como "sofistas". Os mais conhecidos destes foram Protágoras (481-420 A.C.), Górgias (483-376 A.C.), e Isócrates (436-338 A.C.).
Os sofistas se compunham de grupos de mestres que viajavam de cidade em cidade realizando aparições públicas (discursos, etc) para atrair estudantes, de quem cobravam taxas para oferecer-lhes educação. O foco central de seus ensinamentos concentrava-se no logos ou discurso, com foco em estratégias de argumentação. Os mestres sofistas alegavam que podiam “melhorar” seus discípulos, ou, em outras palavras, que a “virtude” seria passível de ser ensinada.
Diversos sofistas questionaram a propalada sabedoria recebida pelos deuses e a supremacia da cultura grega (uma ideia absoluta à época). Argumentavam, por exemplo, que as práticas culturais existiam em função de convenções ou “nomos”, e que a moralidade ou imoralidade de um ato não poderia ser julgada fora do contexto cultural em que aquele ocorreu.
A conhecida frase “o homem é a medida de todas as coisas” surgiu dos ensinamentos sofistas. Uma das mais famosas doutrinas sofistas é a teoria do contra-argumento. Eles ensinavam que todo e qualquer argumento poderia ser contraposto por outro argumento, e que a efectividade de um dado argumento residiria na verosimilhança (aparência de verdadeiro, mas não necessariamente verdadeiro) perante uma dada plateia .
O termo “sofista” tem uma conotação pejorativo nos dias de hoje mas, na Grécia antiga, os sofistas eram profissionais muito bem remunerados e respeitados por suas habilidades.

Na publicidade


A retórica é elemento importantíssimo na linguagem publicitária. Quem produz publicidade deve saber aplicá-la com cautela, tanto para atingir o público (o receptor da mensagem) como para não exceder seus limites de manipulação de ideias. E, na análise dessa linguagem, não podemos de forma alguma ignorar ou negligenciar a retórica, e sim identificar seus principais artifícios e usos, para descodificar o signo sem interferências e melhor empregá-la nos nossos próprios discursos, com ética e moderação.
A imagem pode possuir uma retórica tão ou mais poderosa quanto o texto. Como parte de uma estratégia de comunicação (publicitária ou ideológica), a imagem é um instrumento tão poderoso quanto um discurso no rádio ou um livro panfletário. No entanto, por ser inúmeras vezes mais subtil que o som estridente dos megafones ou que as palavras de ordem dos panfletos, a imagem faz sua mensagem fluir muito mais facilmente através das massas. A propaganda publicitária descobriu isso há muito tempo e usa essa mensagem para vender produtos. Dessa forma, torna-se ainda mais convincente e útil.
No planeamento de um anúncio publicitário, a figura de retórica que será apresentada é previamente discutida e analisada, para condizer com a ideia e o produto anunciados (respectivamente a mensagem e o signo). Também deve adequar-se ao canal (dependendo se é um anúncio de TV, ou de impresna, ou outdoor, diferentes figuras podem ser aplicadas, ou não) e é justamente manipulando a relação entre canal e mensagem que a retórica trabalha.

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terça-feira, 25 de novembro de 2008

O discurso

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O discurso é uma exposição metódica sobre certo assunto. Um arrazoado que visa a influir no raciocínio, ou quando menos, nos sentimentos do ouvinte ou leitor.
Aristóteles, ao longo do Organon, acaba tipificando quatro espécies de discurso, segundo sua finalidade, ordenando-os segundo o grau de rigor que o método produz:
O discurso lógico, que é o método pelo qual se atinge a uma certeza absoluta no qual o axioma resultante é tido como verdadeiro e indubitável, pode ser produzido mecânica ou electronicamente por engenhos e tem indispensável aplicação, principalmente, na matemática.
O discurso dialéctico, que embora não objective alcançar a certeza absoluta, tenta obter a máxima probabilidade de certeza e veracidade que se verifica da síntese entre duas afirmações antagónicas, a saber a tese e sua antítese.
Já no discurso retórico não há o menor comprometimento na busca da verdade, nem da sua demonstrável probabilidade. Aqui o orador ou escritor objectiva apenas convencer o ouvinte ou leitor de que sua tese é certa ou verdadeira, utilizando-se do modo de falar, dos gestos e até da maneira de se vestir como factores para influenciá-lo ou persuadi-lo.
No discurso poético o grau de certeza ou veracidade nada importa, ou melhor, até pode laborar contra o discurso posto que aí a razão é abandonada em favor da ficção ou da fantasia. Neste método o que se busca é influir na emoção e não no raciocínio do ouvinte ou leitor, como modo de impressioná-lo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Ensaio argumentativo

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"As regras para argumentar não são, pois, arbitrárias, têm, pelo contrário, um objectivo específico. Todavia, os estudantes (tal como outras pessoas que escrevem) nem sempre compreendem esse objectivo quando pela primeira vez se lhes pede que escrevam um ensaio argumentativo – e, se não compreendem o objectivo do que lhes é pedido, é improvável que o façam bem. Muitos estudantes, quando se lhes pede que argumentem a favor dos seus pontos de vista acerca de um qualquer assunto, escrevem afirmações intrincadas, mas não oferecem verdadeiramente razões que levem a pensar que os seus pontos de vista são correctos. Escrevem um ensaio, mas não escrevem um ensaio argumentativo. Este erro é natural. No ensino secundário a ênfase é colocada na aprendizagem de assuntos que são razoavelmente pouco ambíguos e incontroversos. Não é necessário argumentar que foi Vasco da Gama quem descobriu o caminho marítimo para a Índia, ou que Eça de Queirós escreveu Os Maias. Estes são factos que o estudante se limita a dominar e que os seus ensaios se limitam a relatar.
Os estudantes vão para o ensino superior e esperam que as coisas sejam sensivelmente iguais. Todavia, muitos cursos superiores – especialmente os que exigem trabalhos escritos – têm um objectivo diferente. Estes cursos tratam das bases das nossas crenças; exigem que os estudantes questionem as suas crenças, que elaborem e defendam os respectivos pontos de vista. Os assuntos discutidos nos cursos superiores são frequentemente os mais ambíguos e menos precisos. Sim, é verdade que foi Vasco da Gama quem descobriu o caminho marítimo para a Índia, mas quais foram as verdadeiras causas da política expansionista? Sim, é verdade que foi Eça de Queirós quem escreveu Os Maias, mas qual o significado do romance? Há razões e dados favoráveis a diferentes respostas. Pede-se aos estudantes destes cursos que aprendam a pensar pela sua cabeça, que formem opiniões próprias de forma responsável. A habilidade para defender opiniões próprias é um sinal dessa capacidade e é por isso que os ensaios argumentativos são tão importantes."

Anthony Weston, A arte de argumentar, pp. 13 e 14, Gradiva. (adaptado)

1. Exponha as diferenças que existem segundo o autor do texto entre ensaio e ensaio argumentativo.
2. Diga o que entende por um bom argumento.

(Retirado do site Netprof)

Para que serve argumentar?

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"Para que serve argumentar?Algumas pessoas pensam que argumentar é apenas expor os seus preconceitos de uma forma nova. E por isso que muita gente considera que argumentar é desagradável e inútil, confundindo argumentar com discutir. Dizemos por vezes que discutir é uma espécie de luta verbal. Contudo, argumentar não é nada disso.
Neste livro "argumentar" quer dizer oferecer um conjunto de razões a favor de uma conclusão ou oferecer dados favoráveis a uma conclusão. Neste livro argumentar não é apenas a afirmação de determinado ponto de vista nem uma discussão. Os argumentos são tentativas de sustentar certos pontos de vista com razões. Neste sentido, os argumentos não são inúteis; na verdade, são essenciais. Os argumentos são essenciais, em primeiro lugar, porque constituem uma forma de tentarmos descobrir quais os melhores pontos de vista. Nem todos os pontos de vista são iguais. Algumas conclusões podem ser defendidas com boas razões e outras com razões menos boas. No entanto, não sabemos na maioria das vezes quais são as melhores conclusões. Precisamos, por isso, de apresentar argumentos para sustentar diferentes conclusões e, depois, avaliar tais argumentos para ver se são realmente bons.
Neste sentido, um argumento é uma forma de investigação. Alguns filósofos e activistas argumentaram, por exemplo, que criar animais só para produzir carne causa um sofrimento imenso aos animais e que, por tanto, é injustificado e imoral. Será que têm razão? Não podemos decidir consultando os nossos preconceitos. Estão envolvidas muitas questões. Por exemplo, temos obrigações morais para com outras espécies ou o sofrimento humano é o único realmente mau? Podem os seres humanos viver realmente bem sem carne? Alguns vegetarianos vivem até idades muito avançadas. Será que este facto mostra que as dietas vegetarianas são mais saudáveis? Ou será irrelevante, tendo em conta que alguns não vegetarianos também vivem até idades muito avançadas? (E melhor perguntarmos se há uma percentagem mais elevada de vegetarianos que vivem até idades avançadas.) Terão as pessoas mais saudáveis tendência para se tomarem vegetarianas, ao contrário das outras? Todas estas questões têm de ser apreciadas cuidadosamente, e as respostas não são, à partida, óbvias.
Os argumentos também são essenciais por outra razão. Uma vez chegados a uma conclusão baseada em boas razões, os argumentos são a forma pela qual a explicamos e defendemos. Um bom argumento não se limita a repetir as conclusões. Em vez disso, oferece razões e dados suficientes para que as outras pessoas possam formar a sua própria opinião. Se o leitor ficar convencido de que devemos realmente mudar a forma como criamos e usamos os animais, por exemplo, terá de usar argumentos para explicar como chegou a essa conclusão: é assim que convencerá as outras pessoas. Ofereça as razões e os dados que o convenceram a si. Ter opiniões fortes não é um erro. O erro é não ter mais nada.
"
Anthony Weston, A arte de argumentar, pp. 13 e 14, Gradiva

1. Explique porque motivo segundo o texto argumentar é para muita gente algo de desagradável e inútil.
2. Diga porque motivo argumentar é para o autor do texto é essencialmente uma forma de investigação.
(Retirado do site Netprof)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Argumentação II



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A argumentação tem como objectivo levar um indivíduo ou grupo a aderir à determinada tese(defendida pelo argumentador, por motivo de familiarização ou até mesmo por próprio capricho). O texto argumentativo deve possuir uma clareza na transmissão de ideias (concisão), podendo tratar de temas, situações ou assuntos variados. É constituído por um primeiro parágrafo curto, que deixa a ideia clara, depois o desenvolvimento deve referir a opinião da pessoa que o escreve, com argumentos convincentes e verdadeiros, e com exemplos que exemplifique uma confiança e persuasão. Deve também conter contra-argumentos, de forma a não permitir a meio da leitura que o leitor os faça. Por fim, deve ser concluído com um parágrafo que responda ao primeiro parágrafo, ou simplesmente com a ideia chave da opinião.
A argumentação surgiu em 427 a.C., na Grécia Antiga. Era denominada Retórica. Argumentar é a arte de convencer e persuadir. ( Persuadir+Argumentar=Convencer).

sábado, 8 de novembro de 2008

Falácias informais

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O objectivo de um argumento é expor as razões que suportam uma conclusão. Um argumento é falacioso quando as razões apresentadas não suportam a conclusão.
Em lógica, a falácia refere-se àquele argumento que é incorrecto, mas que pode convencer as pessoas.



Falso Dilema
Definição:
É dado um número limitado de opções (na maioria dos casos apenas duas), quando de fato há mais. O falso dilema é um uso ilegítimo do operador "ou". Por as questões ou opiniões em termos de "ou tudo ou nada" é uma forma corrente de gerar esta falácia.
Exemplos:
(i) Quem não está por mim, está contra mim..
(ii) Brasil: ame-o ou deixe-o.
(iii) Ou suportas seu marido ou separe-se.
(iv) Uma pessoa ou é boa ou é má.



Falácia da Ignorância (argumentum ad ignorantiam)
Definição:
Os argumentos com esta forma assumem que se pode concluir que algo é verdadeiro por não se ter provado que é falso. Da mesma forma, tal tipo de argumento pode concluir que algo é falso porque não se provou que é verdadeiro. (Isto é um caso especial do falso dilema, já que assume que todas as proposições têm de ser conhecidas como sendo verdadeiras ou falsas).
Exemplos:
(i) Os fantasmas existem! Já provou que não existem?
(ii) Como os cientistas não podem provar que a camada de ozono vai se destruir, isto provavelmente não ocorrerá.
(iii) Paulo disse que era mais esperto do que Marta, mas não o provou. Portanto, isso deve ser falso.


Derrapagem (Bola de Neve)
Definição:
Para mostrar que a proposição P é inaceitável, uma série de factos, cada vez mais inaceitáveis, é extraída de P. O argumento é falacioso quando pelo menos um dos seus passos é falso ou duvidoso. Mas a falsidade de uma ou mais premissas é ocultada pelos vários passos "se... então..." que constituem o todo do argumento.
Exemplo:
(i) Se aprovamos leis liberando o uso da droga, não demorará muito até aprovarmos leis liberando todas as drogas, e então começaremos a liberar os crimes em geral.
(iii) Se eu abrir uma excepção para você, terei de abrir excepções para todos.



Questão Complexa
Definição:
Dois tópicos sem relação, ou de relação duvidosa, são conjugados e tratados como sendo uma única proposição. Pretende-se que as pessoas aceitem ou rejeitem ambas quando, de fato, uma pode ser aceitável e a outra não. Trata-se de um uso abusivo do operador "e". As perguntas deste tipo pressupõem que já tenha sido dada uma resposta a uma pergunta anterior. Não se pode responder com “sim” ou “não”.
Exemplos:
(i) Você abandonou os seus maus hábitos?
(ii) Até quando vamos tolerar a interferência estrangeira nos interesses nacionais?
(iii) O que você fez com o dinheiro que roubou?


Falácia da Composição
Definição:
Como as partes de um todo têm uma certa propriedade, argumenta-se que o todo tem essa mesma propriedade. Esse todo pode ser tanto um objecto composto de diferentes partes, como uma colecção ou conjunto de membros individuais.
Exemplos:
(i) Cada tijolo tem três polegadas de altura, portanto a parede de tijolo tem três polegadas de altura.
(ii) As células não têm consciência. Portanto, o cérebro, que é feito de células, não tem consciência.



Falácia da Divisão
Definição:
Como o todo tem uma certa propriedade, argumenta-se que as partes têm essa propriedade. O todo em questão, pode ser tanto um objecto como uma colecção ou conjunto de membros individuais.
Exemplos:
(i) Como o cérebro tem consciência, cada célula do cérebro deve ter a consciência.
(ii) Uma vez que a classe do 2o. Ano de Publicidade e Propaganda é de excelente nível, Fulano, que é aluno dessa classe deve ser de excelente nível também...



Petição de Princípio (petitio principii)
Definição:
A verdade da conclusão é assumida pelas premissas. Muitas vezes, a conclusão é apenas reafirmada nas premissas de uma forma ligeiramente diferente. Nos casos mais difíceis, a premissa é consequência da conclusão.
Exemplos:
(i) Dado que não estou mentindo, segue-se que estou dizendo a verdade.
(ii) Sabemos que Deus existe, porque a Bíblia o diz. E o que a Bíblia diz deve ser verdadeiro, dado que foi escrita por Deus e Deus não mente. (Neste caso teríamos de concordar primeiro que Deus existe para aceitarmos que ele escreveu a Bíblia)



Apelo à Força (argumentum ad baculum)
Definição: O interlocutor é informado de que consequências desagradáveis se seguirão à discordância com o autor.
Exemplos:
(i) É melhor concordar que a nova orientação da empresa. Pelo menos se você pretende manter seu emprego.
(ii) Todos os membros do partido devem apoiar a candidatura de Fulano, ou enfrentar um processo de expulsão. Prova: Identifique a ameaça e a proposição. Argumente que a ameaça não tem relação com a verdade ou a falsidade da proposição.



Apelo à Piedade (argumentum ad misercordiam)
Definição: Pede-se a aprovação do auditório na base do estado lastimoso do autor. Exemplos:
(i) Não é possível ter tirado essa nota, pois eu passei as duas últimas noites estudando!
(ii) O presente custou caríssimo. Portanto, ele vai gostar...



Apelo às Consequências (argumentum ad consequentiam)
Definição: O autor, para “mostrar” que uma crença é falsa, aponta consequências desagradáveis que advirão da sua defesa. Exemplos:
(i) Não se pode aceitar que a teoria da evolução é verdadeira, porque se ela fosse verdadeira não seriamos melhores que os macacos. (ii) Deve acreditar em Deus, porque de outro modo a vida não teria sentido. (Talvez. Mas também é possível dizer que, não havendo sentido para a vida, Deus não existiria.) Prova: Identifique as consequências e argumente que a realidade não tem de se adaptar aos nossos desejos.



Apelo ao Povo (argumentum ad populum)
Definição: Sustenta-se que uma proposição é verdadeira por ser largamente defendida como tal por algum sector da população. Esta falácia é, por vezes, chamada "Apelo à emoção" porque os apelos emocionais atingem, muitas vezes, a população como um todo.
Exemplos:
(i) Desde que o mundo é mundo as coisas são feitas dessa forma. Por que você insiste em pensar diferente?
(ii) As pesquisas sugerem que o partido XYZ vai ganhar as eleições; portanto, você também deve votar nele.
(iii) Todo mundo sabe que a Terra é plana. Então porque insistes nas tuas excêntricas teorias? (Papa falando à Ptolomeu)



Ataque à Pessoa (argumentum ad hominem)
Definição: A pessoa que apresentou um argumento é atacada em vez do próprio argumento. Assume muitas formas. Pode-se, por exemplo, atacar o carácter, a nacionalidade ou a religião da pessoa. Em alternativa, pode-se sugerir que a pessoa é movida pelo interesse porque tem algo tem algo a ganhar com o argumento. A pessoa pode ainda ser atacada por associação ou pelas suas companhias.
Há três formas maiores de Ataque à Pessoa: (1) ad hominem (abusivo): em vez de atacar a asserção, o argumento ataca pessoa que a proferiu. (2) ad hominem (circunstancial): em vez de atacar a asserção, o autor aponta uma relação entre a pessoa pessoa que a fez e as suas circunstâncias. (3) ad hominem (tu quoque): esta forma de ataque à pessoa consiste em fazer notar que a pessoa não pratica o que diz.

Exemplos:
(i) Não discuto com pessoas da sua categoria (ad hominem abusivo)
(ii) É natural que o ministro diga que essa política fiscal é boa porque ele não será atingido por ela.(ad hominem circunstancial)
(iii) Podemos ignorar as afirmações de João porque ele é patrocinado pela indústria da madeira. (ad hominem circunstancial)
(iv) Como você pode pedir-me para parar de fumar se vejo você fumando todos os dias? (ad hominem tu quoque)



Apelo à Autoridade (argumentum ad verecundiam)
Definição: Ainda que às vezes seja apropriado citar uma autoridade para suportar uma opinião, a maioria das vezes não o é. O apelo à autoridade é especialmente impróprio se: (i) a pessoa não está qualificada para ter uma opinião de perito no assunto. (ii) não há acordo entre os peritos do campo em questão. (iii) a autoridade não pode, por algum motivo ser levada a sério - porque estava brincando, estava ébrio ou por qualquer outro motivo.
Uma variante da falácia do apelo à autoridade é o "ouvi dizer" ou "diz-se que". Um argumento por "ouvir dizer" é um argumento que depende de fontes em segunda ou terceira mão.

Exemplos:
(i) O famoso psicólogo Dr. Fabio Appolinário recomenda-lhe que compre o último modelo de carro da Ford. (ii) O economista John Kenneth Galbraith defende que uma apertada política económica é a melhor saída para a recessão. (Apesar de Galbraith ser um perito, nem todos os economistas estão de acordo nesta questão.) (iii) Dizem que as acções da Bolsa vão continuar a cair até o final do ano. (Ouvi dizer que...) Prova: Mostre uma de duas coisas (ou ambas): (i) a pessoa citada não é uma autoridade no campo em questão; (ii) mesmo entre os especialistas não há consenso sobre o assunto discutido.





Depois disso, por causa disso (post hoc ergo propter hoc )
Definição: O nome em Latim significa: "depois disso, logo, por causa disso". Isto descreve a falácia. Um autor comete a falácia quando assume que, por uma coisa se seguir a outra, então aquela teve de ser causada por esta.
Exemplos:
A imigração nordestia para o sul/sudeste aumentou assim que a prosperidade aumentou. Portanto o incremento da imigração foi causado pelo incremento da prosperidade.
Tomei o Chá Cura-Tudo e dois dias depois a minha dor no peito desapareceu...



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